segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Conheça pontos da proposta de Brasil e França para Copenhague


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colega francês, Nicolas Sarkozy, anunciaram neste sábado, em visita do brasileiro a Paris, que levarão uma proposta comum para a Conferência de Copenhague sobre o clima, no mês que vem.

Leia abaixo os principais pontos do documento:

- Países industrializados devem definir estratégias consistentes com a meta de reduzir suas emissões em ao menos 80% em relação aos seus níveis de 1990, até 2050;
- Países de fora do chamado anexo 1 (países industrializados) devem buscar crescimento de baixa emissão de carbono implementando "ações nacionais apropriadas de alívio" com apoio financeiro de países mais ricos;
- Países em desenvolvimento também devem reduzir o índice de elevação de suas emissões de gases causadores do efeito estufa;
- Países em desenvolvimento ameaçados pelos efeitos da mudança climática, particularmente países pobres e vulneráveis da África, devem receber ajuda financeira "significativa";
- Cooperação crescente na pesquisa e tecnologia entre países desenvolvidos e em desenvolvimento;
- Esforços crescentes para cortar emissões do desmatamento, em países em desenvolvimento.
- Uma organização internacional de ambiente e desenvolvimento sustentável deve ser criada.

fonte: Folha online

sábado, 14 de novembro de 2009

Proposta brasileira vai ajudar acordo global, afirmam ONGs


Segundo a ONG ambientalista WWF, a proposta brasileira de redução de emissões é "um gesto político importante". "Vai na direção correta e pode trazer um novo ânimo para Copenhague", avalia Carlos Rittl, coordenador do programa de mudanças climáticas da entidade.

Rittl, no entanto, diz que é preciso saber como a meta será alcançada, listando os esforços de cada setor da economia num plano de ação. Para ele, o fato de o governo voltar atrás na decisão de só anunciar seus compromissos na Dinamarca é também importante.

"Havia uma demanda grande, o mundo estava pedindo uma demonstração de liderança", diz o ambientalista.


Segundo o Greenpeace, a adoção de uma meta para o Brasil quebrou um tabu. "Há dois anos, se você dissesse a palavra meta, o pessoal [do governo] queria tirar seu passaporte e te deportar", disse o coordenador de mudança climática da ONG, João Talocchi. "É uma mudança que pode ajudar nas negociações em Copenhague."

O ambientalista, porém, diz que o Greenpeace vai cobrar agora que a meta seja incluída no novo acordo. "Esses números precisam estar no documento que vai ser assinado lá", afirma Talocchi.

Fonte: Folha de S. Paulo

Brasil estabelece meta de redução de gases entre 36,1% e 38,9%

A 24 dias da conferência que definirá os fundamentos das reduções nas emissões de gases, os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Dilma Roussef (Casa Civil) anunciaram oficialmente o corte entre 36,1% e 38,9% no dióxido de carbono emitido pelo Brasil até 2020.

A meta foi definida como uma "ação voluntária do governo" pela ministra Dilma. O valor não foi cravado em um índice definitivo para dar flexibilidade aos segmentos da sociedade, da ciência, da agropecuária e das indústrias siderúrgica e energética, nas palavras do ministro Minc. O país é o quinto maior poluidor do planeta.

Embora estivesse na reunião precedente --que durou 1h45--, o presidente Lula não participou do anúncio oficial, ocorrido em entrevista coletiva em São Paulo. Lula discute amanhã a proposta brasileira para Copenhague em Paris, com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Os ministros também não confirmaram a participação do presidente em Copenhague --permanece, assim, a versão condicionada ao "quorum" de líderes.

Desta forma, fica estabelecida a meta que será levada à Copenhague, cujo início está marcado para o dia 7 de dezembro. Denominada COP-15, a conferência deve estabelecer novas metas que substituam o Protocolo de Kyoto (1997), que determinava a redução de emissões de gases em 8% com base no ano de 1990.

"Estamos assumindo um intervalo de avaliação [com a meta]. Nosso objetivo é assumir uma posição política, de que o Brasil tem compromisso com desenvolvimento sustentável e a preocupação com a emissão de gases-estufa. Repito: É uma ação voluntária do governo", frisou a ministra Dilma.

Métodos e financiamento

O governo afirma que vai cooptar 6% do lucro do petróleo a partir de um fundo, já aprovado no Senado. "Seremos o único país em Copenhague com um fundo ambiental cuja origem é o combustível fóssil. Além do Fundo Amazônia, que destinará R$ 800 milhões ao ano para isso", afirmou Minc.

A ministra Dilma também lembrou que o BNDES já financia ações como o biocombustível etanol.

O plano governamental, intitulado "Ações para Mitigação de Emissões até 2020", se divide em quatro tópicos fundamentais: Uso da Terra (que compete à redução do desmatamento da Amazônia e do Cerrado, estabelecida em 80% e 40%, respectivamente); Agropecuária (recuperação de pastos, integração de lavouras, plantio direto, fixação biológica de nitrogênio); Energia (eficiência energética, aumento de uso dos biocombustíveis, expansão de oferta de energia por hidroelétricas e fontes alternativas); e Outros (siderurgia, a partir da substituição do carvão de desmate por carvão de reflorestamento).

De acordo com projeções anteriores do ministro Minc, metade do cumprimento da meta seria baseada na redução do desmatamento na Amazônia.

Na terça-feira (10), ele já havia declarado que a proposta brasileira seria cortar cerca de 40% do gás-estufa, confirmando afirmação anterior de Dilma, da segunda-feira (9).

Floresta amazônica na região do rio Negro; redução no desmate faz parte da meta
"Agora, vamos definir claramente o financiamento e as datas que essas ações serão feitas. [Serão] ações factíveis, daí a nossa preocupação com financiamento", afirmou Dilma.

"O presidente Lula determinou que haja planos estaduais, com a iniciativa privada e com a agropecuária", disse o ministro Minc, acerca do modo de operação do plano. "Os empresários vão ter que fazer esforço, porque se não fizerem, terão barreiras lá fora".

A adoção da meta posiciona o Brasil em um panorama ousado --enquanto China, Índia e os países ricos ainda discutem sobre o quanto deverão deixar de emitir, e se os respectivos presidentes participarão do COP-15. "O Brasil vai ser ambicioso em Copenhague", disse o assessor de assuntos ambientais do Itamaraty, Luiz Alberto Figueiredo.

Dilma também comentou a participação chinesa na redução das emissões. "É um esforço significativo, entre 16% e 17%, não muito além disso", afirmou.

Sem obrigação

"Não sejamos baluartistas: isso não vai resolver o problema. Um país em desenvolvimento, que não tem a obrigação de cumprir com as metas, dá ânimo ao cenário", disse o ministro Carlos Minc.

O anúncio do governo, entretanto, também vem no bojo do viés político: sob a possível candidatura presidencial nas eleições 2010, o governador de São Paulo José Serra sancionou a Política Estadual de Mudanças Climáticas no começo desta semana. A legislação prevê que haja corte de 20% nas emissões de São Paulo até 2020.

O austríaco Yvo de Boer, secretário geral da Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Mudança Climática
Em março, Yvo de Boer, secretário-executivo da convenção do clima, apontou os quatro eixos cuja resposta deve ser dada em Copenhague.

São eles: a) a quantidade de gases que os países industrializados devem reduzir; b) quanto os maiores países em desenvolvimento, como China e Índia, devem reduzir; c) como será a ajuda financeira aos países em desenvolvimento quanto às reduções; e d) como esse dinheiro será angariado.

"Se Copenhague puder responder a esses quatro pontos, fico feliz", disse Boer

Fonte: MARINA LANG da Folha Online

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Cana-de-açúcar 3.0: do etanol à bioeletricidade e aos hidrocarbonetos


Do açúcar ao etanol, e daí para a eletricidade, para os plásticos e, finalmente, até os hidrocarbonetos. Para Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), essa é a rota de utilização da cana a ser seguida pelas atividades de pesquisa científica e tecnológica nos próximos anos.

"É muito provável que, daqui a dez anos, o Brasil esteja investindo em estudos e na produção de hidrocarbonetos a partir de açúcares convencionais, quando a cana poderá dar origem a um combustível de terceira geração, principalmente se o preço do petróleo voltar a patamares elevados", disse.

Novas rotas de utilização da cana

"Essas novas rotas de utilização da cana são uma possibilidade extremamente concreta e bem próxima da realidade. Pelo menos uma dezena de empresas americanas está investindo pesadamente nessa área, seja por vias biológicas ou não biológicas. Essa nova fronteira acontecerá tão mais rápido quanto maiores forem a escassez do petróleo e os problemas do clima", afirmou.

Segundo Jank, atualmente as pesquisas e suas aplicações estão entrando na era da eletricidade gerada a partir da cana-de-açúcar e também é muito provável que, em poucos anos, a maior parte do bagaço e da palha da cana seja usada para a geração de energia elétrica, "que hoje é o mercado demandante, uma vez que já existe um excedente de etanol no mercado devido à expansão da indústria nacional nos últimos anos".

Energia contida na biomassa

Dois terços da energia da cana-de-açúcar, seja para a produção de biocombustíveis ou eletricidade, têm origem na biomassa da gramínea, explicou o presidente da Unica, entidade que reúne 127 empresas industriais associadas.

Segundo ele, a energia contida nas plantações de cana do país apresenta potencial estimado da ordem de 14 mil megawatts, o que representaria "duas usinas de Itaipu adormecidas nos canaviais brasileiros".

Bioeletricidade

"O potencial de crescimento da eletricidade de cana, a chamada bioeletricidade, é surpreendente, devendo passar dos atuais 3% da matriz energética nacional para cerca de 15% em 2020, isso considerando apenas a utilização do bagaço e da palha da cana que está plantada atualmente no Brasil", apontou o também professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

A biomassa da cana é considerada ainda, de acordo com Jank, uma matéria-prima cada vez mais importante para a indústria da alcoolquímica, com destaque para os plásticos verdes e uma série de outros produtos que podem ser feitos além do etanol.

"Estamos diante de um emaranhado de possibilidades e as experiências brasileiras ainda estão à frente do ponto de vista global, mas essa dianteira ainda não está garantida e dependerá de muito investimento em pesquisa e desenvolvimento na área, além da definição de uma nova agenda de pesquisa para a cana no mundo da energia", destacou.

Fonte: Thiago Romero

Bactéria faz metais radioativos ficarem inertes



A Dra. Judy Wall está desenvolvendo uma linhagem de bactérias capazes de transformar o urânio radioativo em uma substância inerte. [Imagem: MIZZOU magazine]

Contaminação duradoura

Materiais radioativos, ainda que na forma de resíduos de baixíssima concentração, continuam poluindo o meio ambiente mesmo muito tempo depois que as instalações onde eram manipulados, ou as minas de onde eram extraídos, já encerraram suas atividades.

A descontaminação dessas áreas é uma tarefa extremamente cara, sendo feita apenas em casos muito graves. Na maioria das vezes, o local é simplesmente fechado e interditado ao trânsito de pessoas.

Bactérias antirradiação

Essa situação agora pode começar a mudar, graças ao trabalho da bioquímica Judy Wall, da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos.

Trabalhando na mina Órfão Perdido, na região do Grand Canyon, a Dra. Wall está utilizando bactérias redutoras de sulfato para converter os metais radioativos tóxicos em substâncias inertes. O processo, quando totalmente desenvolvido, será muito mais barato, seguro e confiável do que as opções atuais.

As bactérias caçadoras de radioatividade são biocorrosivas, sendo capazes de alterar a solubilidade dos metais pesados. Os microrganismos são capazes de pegar o urânio e convertê-lo em uraninita, uma substância praticamente insolúvel que afunda nos lagos de rejeitos das minas ou mesmo em cursos d'água.

Genética básica

A pesquisadora agora está investigando a genética básica da bactéria na tentativa de produzir uma linhagem que efetue esse processamento dos metais pesados com maior produtividade, para que ela possa ser utilizada em um sistema de tratamento industrial.

Outro melhoramento a ser feito é o controle do tipo de metal que as bactérias atacam, para que sua aplicação não precise ficar limitada a barragens de rejeitos.

Fonte:Site Inovação Tecnológica

Estrada verde terá pavimento que elimina poluentes emitidos pelos veículos


Tijolo feito com o concreto purificador de ar, mostrando as reações que permitem que ele retire do ambiente os óxidos de nitrogênio emitidos pelos veículos. Partindo de um material desenvolvido por pesquisadores japoneses, engenheiros holandeses estão criando a primeira "estrada verde", capaz de eliminar da atmosfera a poluição emitida pelos veículos que trafegam por ela.

Estrada verde

Uma pequena estrada na cidade de Hengelo, Holanda, será pavimentada com um concreto especial contendo um aditivo capaz de capturar as partículas de óxidos de nitrogênio emitidas pelos escapamentos dos carros e caminhões.

Mais conhecidos pela sigla NOx, os óxidos de nitrogênio estão entre os mais danosos gases poluentes emitidos na atmosfera, sendo os principais responsáveis pela chamada chuva ácida.

Concreto purificador de ar

O concreto purificador de ar recebe em sua formulação um aditivo à base de dióxido de titânio. Quando exposto à luz do Sol, o material reage com os óxidos de nitrogênio, transformando-os em nitratos, que são inofensivos ao meio ambiente. Basta uma chuva para que todo o pó inerte seja lavado e a estrada fique limpa de novo.

A estrada de Hengelo foi escolhida porque está sendo reconstruída e por causa da excelente qualidade do ar da região, que permitirá um acompanhamento preciso dos resultados obtidos com a pavimentação capaz de eliminar a poluição do ar.

Fonte: Site Inovação Tecnológica

Esponja absorvente de mercúrio pode resolver dilema das lâmpadas fluorescentes compactas


As lâmpadas fluorescentes compactas, também conhecidas como lâmpadas PL, são energeticamente muito mais eficientes e vários países já marcaram data para a proibição da venda das tradicionais lâmpadas incandescentes, que deverão ser totalmente substituídas por esta opção mais econômica.

Reciclagem das lâmpadas fluorescentes compactas

Contudo, embora mais econômicas quando o assunto é consumo de energia, as lâmpadas fluorescentes compactas não são assim tão ambientalmente corretas quando se quebram acidentalmente ou quando se trata de descartá-las quando elas se queimam.

Além do circuito eletrônico embutido em seu interior, cada uma dessas lâmpadas possui entre 3 e 5 miligramas de mercúrio, uma neurotoxina com sérios efeitos sobre a saúde humana, dos animais e de todo o ambiente - e literalmente um veneno no caso de crianças pequenas e mulheres grávidas. O mercúrio é liberado na atmosfera na forma de um gás assim que a lâmpada se quebra.

Esponja absorvedora de mercúrio

Agora, a equipe do professor Robert Hurt, da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, criou uma espécie de esponja que poderá resolver esse conflito entre a adoção de uma solução de iluminação que consome menos energia mas que tem o potencial de poluir mais.

A nova esponja absorvente de mercúrio é capaz de absorver a nuvem de mercúrio que escapa da lâmpada quando ela se quebra ou pode ser utilizada como revestimento em recipientes especiais para a quebra controlada das lâmpadas em estações de reciclagem.

Os pesquisadores desenvolveram também uma esponja que pode ser colocada no interior de sacos plásticos domésticos onde as lâmpadas serão guardadas para o descarte ou até chegarem à empresa de reciclagem.

"É um sistema completo de gerenciamento para lidar com uma lâmpada quebrada em casa," diz Hurt.

Nanopartículas de selênio

Os pesquisadores testaram 28 substâncias em busca do material com maior eficiência na absorção de mercúrio. Eles descobriram que nanopartículas de selênio - um elemento-traço muito utilizado em suplementos alimentares - é a mais eficiente.

Os átomos de selênio ligam-se aos átomos de mercúrio, formando seleneto de mercúrio (HgSe), um composto estável e ambientalmente benigno. A nanoesponja é capaz de absorver 99% do mercúrio liberado por uma lâmpada fluorescente quebrada no interior de um invólucro lacrado.

A Universidade está agora discutindo o licenciamento da tecnologia com empresas interessadas, para que a esponja absorvedora de mercúrio possa chegar ao mercado o mais brevemente possível.


Fonte: Site Inovação Tecnológica