sexta-feira, 6 de março de 2009

Excesso de informações sobre ecologia confunde consumidores


O motivo (salvar o planeta) é justo e a demanda, grande: reciclar o lixo, diminuir o consumo, preferir os orgânicos, usar papel reciclado, gastar menos energia elétrica e menos água, ter sempre à mão uma "ecobag" para não passar nem perto das sacolinhas plásticas.

O problema é que, como se fala tanto em sustentabilidade e aquecimento global, a quantidade de informações, muitas vezes contraditórias, confunde e cansa até o mais bem intencionado ecologicamente.

Quinteiro decidiu levar caneca para o trabalho, para não usar copos, mas foi avisada de que uso da água geraria outro impacto
A consultora em desenvolvimento organizacional Sandra Quinteiro, 41, por exemplo, não acha fácil cumprir a sua parte. No prédio onde mora, o lixo reciclável é todo separado: papel, plástico, metal... Mas ela não sabe onde se encaixa a caixinha longa vida --e já ouviu diversas teorias sobre o assunto.

Também se sentiu bem ao levar uma caneca para o trabalho, para não usar mais copos descartáveis. Até alguém comentar que a água usada para lavá-la geraria outro tipo de impacto ao ambiente.

"Existem muitas informações contraditórias porque elas envolvem dados técnicos bastante complexos. Se até entre os cientistas há controvérsias, imagine entre os leigos. O consumidor teria de ser um especialista em energia, em água etc. para entender tudo", analisa a socióloga Fátima Portilho, da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), autora do livro "Sustentabilidade Ambiental, Consumo e Cidadania" (ed. Cortez).

Além de ter os dados em mãos, é preciso entender por que se deve adotar determinada ação --e saber que nem sempre uma iniciativa terá somente resultados positivos--, o que torna o engajamento ecológico ainda mais complicado.

Por exemplo, ao escolher um carro a álcool porque polui menos do que o veículo a gasolina, o consumidor sustenta a produção de um combustível que pode ser responsável por desmatamento de floresta e que pode oferecer condições ruins de trabalho.

"As escolhas sempre terão elementos contraditórios e é preciso fazer ponderações, decidir o que deve ser priorizado. Minha ação vai diminuir o aquecimento global? Ou desencadear algum problema social? Ao compreender isso, percebe-se que as respostas não são "preto no branco'", diz Hélio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.

E, mesmo com essa reflexão, ainda ficam questionamentos, pois é difícil saber como uma escolha poderia causar tamanho efeito no ambiente, quando se abordam somente termos genéricos. "Isso atrapalha porque se fala muito das conseqüência globais, mas falta o direcionamento para o que pode ser feito localmente", explica Eliane Saraiva, coordenadora do curso Técnico Ambiental do Senac de São Paulo.

De olho nesse turbilhão de informações e dúvidas, o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) criou um site de orientação para o consumo consciente (www.climaeconsumo.org.br), que pretende ligar as pequenas ações às grandes questões ecológicas. "Falta uma conexão entre os problemas ambientais e os hábitos de consumo, não é fácil ser um consumidor responsável", diz Lisa Gunn, coordenadora-executiva do Idec.

Tantas incertezas podem explicar os números de uma pesquisa do WWF (Fundo Mundial para a Natureza) e do Ibope, divulgada no mês passado. Apesar de todas as sugestões, a população ainda não tem uma ação ecológica relativamente simples: 67% dos brasileiros entrevistados não separam o lixo reciclável e somente 5% encaminham o lixo orgânico para a transformação em adubo.

Além de informações incompletas, outro problema que desestimula a adoção de atitudes ecológicas é a falta de opção aos hábitos poluentes. Esse é o dilema do administrador Matheus Oshikiri, 34. Ele reutiliza quase todo o lixo que produz --manda as embalagens para reciclagem, e o orgânico vira adubo para seu jardim--, não come fritura, "não sei o que o estabelecimento que fritou o meu pastel vai fazer com aquele óleo" e evita as sacolinhas plásticas.

Oshikiri procura agir de modo sustentável, mas gostaria de fazer mais, como deixar de usar carro e comprar discos de segunda mão
Ainda assim, gostaria de fazer mais, como deixar de usar o carro, comprar discos de segunda mão e escolher embalagens de papel reciclado. "Quero ter a opção de ser mais sustentável. Mas o sistema de transporte de São Paulo é horrível, a malha ferroviária é insuficiente, não se estimula o comércio de produtos usados, só se fala em recicláveis, mas não em reciclados... O meu esforço tem de ser muito maior aqui do que em outros países", lamenta.

Falta de alternativa

Maria Cláudia Kohler, coordenadora do curso de pós-graduação em meio ambiente e sociedade da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) e coordenadora de voluntários do Greenpeace Brasil, concorda: o assunto está em pauta, mas é difícil aderir por falta de alternativa.

"O produto orgânico é melhor, mas é mais caro. As pessoas não têm opção na questão financeira e faltam estímulo e políticas de governo. E ainda falta opção. Adoraria escolher entre energia eólica e solar, mas não há essas possibilidades em minha rede de abastecimento. Não há pasta de dente sem caixa de papelão...", diz.

Algumas escolhas convergem para ações econômicas, como a diminuição no consumo de energia elétrica, explica Fátima Portilho, da UFRRJ. Esse benefício imediato pode facilitar a adesão à mudança do hábito. Verifica-se isso na mesma pesquisa do WWF e do Ibope: 80% dos entrevistados sempre desligam lâmpadas e deixam o computador em estado de hibernação quando saem do ambiente por pouco tempo.

Isolado, mas produtivo

O psicólogo Sean White, 29, acredita que as mudanças precisam ser drásticas para causar efeito na natureza e que, apesar de estar na moda dizer que é ecologicamente sustentável, não sente um compromisso geral com a causa. "Esse monte de informação me desestimula, porque faço pequenos gestos e ainda assim me sinto culpado. Ficam na discussão se uso um copo de plástico ou de papel, mas eu preciso tomar o meu café de algum jeito", desabafa.

Essa sensação de isolamento também torna mais difícil o engajamento às ações ecológicas, segundo Fátima Portilho. "Eu faço o esforço, mas posso desanimar quando percebo que só eu ajo", diz.

E, para constar, sem querer causar confusão: a caixinha longa vida deve ir ao compartimento dos papéis. De acordo com a Tetra Pak, a embalagem segue antes para a indústria papeleira e, depois, para outras indústrias que aproveitarão o plástico e o alumínio.

Fonte: Folhaonline

quarta-feira, 4 de março de 2009

Barueri e Santana de Parnaíba perdem áreas verdes


Nos últimos três anos, as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória desmataram 793 hectares de mata atlântica, 14 vezes mais que o período de 2000 a 2005. Os dados foram apresentados no Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica de 2005 a 2008, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Na região metropolitana de São Paulo, o desmatamento foi o maior constatado pela pesquisa: 437 hectares entre 2005 e 2008. No mesmo período, o município de Barueri perdeu um hectare de mata atlântica, enquanto Santana de Parnaíba perdeu 21 hectares em relação aos dados referentes a 2000 e 2005.

Atualmente, as cidades possuem respectivamente 259 hectares e 2.949 hectares de mata atlântica em seu território.

segunda-feira, 2 de março de 2009

IPT realiza Plano de Recursos Hídricos para SP


IPT realiza Planos às Bacias Hidrográficas em cidades do interior do Estado, com o objetivo de diagnosticar o uso da água em diversos setores.

A Cooperativa de Serviços e Pesquisas Tecnológicas e Industriais (CPTI), contratada pelos Comitês de Bacias, e o IPT, executor dos projetos, realizaram oito Planos de recursos hídricos das Bacias Hidrográficas do Turvo/Grande, do Rio São José dos Dourados, do Baixo Pardo/Barra Grande, Sapucaí-Mirim/ Grande, do Pardo, do Tietê/ Jacaré, do Sorocaba/ Médio Tietê e do Litoral Norte reunindo 224 municípios dessas regiões do Estado de São Paulo (SP). A função foi diagnosticar os setores usuários de água: municipal, agrícola e industrial e verificar suas demandas. São analisados a demografia, qualidade das águas, monitoramento de chuvas, situação da vegetação, destino do lixo urbano e dos resíduos industriais, poluição agrícola, doenças causadas pela água, degradação e outros aspectos que possam afetar os recursos hídricos e a população. Nesse sentido, são planejadas ações para conservar, recuperar, preservar e proteger a água e o ambiente.

As decisões a serem tomadas são discutidas com o Colegiado Gestor da Bacia Hidrográfica formado por um Comitê com representantes do Estado, sociedade civil organizada de cada região e representantes dos municípios. É realizado um planejamento a curto, médio e longo prazo até o ano de 2020, com ações para melhorias e recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FEHIDRO, além de recursos de outras fontes.

A lei nº7663 votada pela Assembléia Legislativa em dezembro de 1991, estabelece normas de orientação à Política Estadual de Recursos Hídricos e ao Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Nela, o Fehidro foi estabelecido como suporte para recursos financeiros. O governo estadual de São Paulo recebe cerca de 55 milhões de reais por ano e distribui para os 21 comitês de bacia hidrográfica estabelecidos no estado e mais uma parcela para o Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CRH).

O IPT tem contribuído com o gerenciamento dos recursos hídricos das regiões do Litoral Norte, Araraquara, Ribeirão Preto, Franca, Sorocaba, Piracicaba, Jales, São José do Rio Preto, Barretos, São Paulo e com o próprio CRH.

" Todos os aspectos que afetam o meio ambiente vieram se degradando há 500 anos. A ocupação humana se apropria dos recursos naturais sem se preocupar. São Paulo que é engajado e tem uma política de recursos hídricos estabelecida está tentando recuperar esse quadro. O planejamento é essencial para que um salto aconteça, por isso há importância em se promover uma ação continuada da integração de iniciativas", afirma José Luiz Albuquerque, pesquisador do CETAE e interlocutor do IPT junto ao Fehidro.

Com a CETESB/ SMA, a Coordenadoria de Planejamento Ambiental (CPLA)/SMA, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) da Secretaria de Saneamento e Energia – SSE, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI)/Secretaria da Agricultura e a Fundação Florestal / SMA, o IPT foi nomeado agente técnico do Fundo Estadual em 2004. O Convênio envolve 20 pesquisadores de diversos Centros Tecnológicos do IPT, graças ao conhecimento técnico das equipes multidisciplinares do Instituto."Ampliamos nossa atuação, hoje administrando quase 160 contratos dos mais diferentes comitês do Estado de São Paulo", conclui Albuquerque.

Sanepar cria "universidade" do saneamento


A Sanepar firmou contrato com a Caixa Econômica Federal para a implantação da Universidade do Saneamento - Unisan, que vai funcionar na Estação de Tratamento de Água do Tarumã, prédio inaugurado em 1945 e que faz parte do patrimônio histórico do saneamento básico do Paraná. O contrato foi assinado na noite da quinta-feira (26), pelo presidente da Sanepar, Stênio Sales Jacob, e pelo superintendente regional da Caixa, Jorge Kalache Filho. Os recursos são de R$ 2,8 milhões.

O projeto compreende a reforma de 1.904 metros quadrados, além da construção de 883 metros quadrados e do aproveitamento de 483 metros quadrados de canais de água. O espaço contará com seis salas de treinamento, uma sala de exposição e auditório para 180 pessoas. “Com o projeto da Unisan, a Sanepar usa o patrimônio como instrumento de educação socioambiental, voltado tanto para seu corpo de empregados como para a comunidade”, explica a diretora de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Maria Arlete Rosa.

ABERTA – A nova instituição está sendo criada dentro do conceito de universidade corporativa, embora aberta à população. A Unisan vai promover ações de educação socioambiental, para atendimento à comunidade; atuar na formação e qualificação de profissionais para o setor do saneamento, incluindo terceirizados, agentes financeiros e profissionais do setor; e desenvolver pesquisa e desenvolvimento vinculados ao treinamento e capacitação de seus empregados.

“A Unisan será um espaço de construção do conhecimento na área do saneamento básico, promovendo o intercâmbio com instituições de ensino, para a formação profissional, a pesquisa e a extensão. O objetivo será disseminar o conhecimento acumulado ao longo dos 45 anos de existência da Sanepar, desde o processo de tratamento da água até a geração de energia elétrica, a partir das estações de tratamento de esgoto”, detalha Arlete.

Segundo Stênio Jacob, o projeto consolida o Paraná como referência em saneamento básico. “Isso com base no trabalho da Sanepar, que está sendo apontada, pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, como a melhor empresa do setor no país”. Também participaram da assinatura do contrato os diretores da Sanepar Hudson Calefe, financeiro, e Cezar Eduardo Ziliotto, jurídico; Luiz Henrique Borgo e Arielson Bittencourt, gerentes da Caixa.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Antártida abriga cordilheiras debaixo do gelo


Uma equipe internacional de cientistas detectou um grande sistema de cordilheiras abaixo da crosta de gelo da Antártida semelhante aos Alpes europeus. Para os pesquisadores, o primeiro mapeamento detalhado das montanhas subglaciais de Gamburtsev pode dar mais pistas sobre o continente e como o degelo afetaria a elevação do nível dos mares em pelo menos 57 m. As informações são do diário espanhol El Mundo.

Além de ter uma extensão do tamanho dos Alpes, a cordilheira submersa chama a atenção pela semelhança com as altas montanhas no coração da Europa - que se estendem da Áustria e Eslovênia pela Itália, Suíça (Alpes suíços), Liechtenstein, Alemanha e França -, com picos elevados e vales profundos.

Os "Alpes de Gamburtsev", identificados há 50 anos por cientistas russos, ganharam os novos traços geográficos com a ajuda de sensores de radar e gravidade. O sistema se localiza no centro da parte oriental do continente antártico.

De acordo com o geofísico Fausto Ferraccioli, que integra as investigações, as montanhas teriam sofrido erosões e se reduzido a uma zona plana se o gelo tivesse se formado lentamente. No entanto, segundo ele, a presença de picos pontudos indica que o gelo se desenvolveu rapidamente, submergindo a paisagem debaixo de um manto com cerca de 4 km de espessura.

Os mapas são a "primeira página de um novo livro" que pode ajudar a identificar os efeitos do aquecimento global nos glaciais do Pólo Sul, alertou Ferraccioli. A equipe de pesquisa, composta por cientistas da Austrália, Reino Unido, Canadá, China, Alemanha, Japão e Estados Unidos, sobrevoou mais de 120 mil km da Antártida com equipamentos de medição.

O continente antártico tem a superfície terrestre maior que os Estados Unidos e está coberto de gelo há pelos menos 35 milhões de anos. A crosta de gelo contém água suficiente para elevar o nível de todos os mares da Terra em 57 m sem o derretimento total. Os especialistas acreditam que apenas um degelo parcial causaria graves efeitos nas costas de todo o planeta.

Fonte: Terra

Ano Polar confirma degelo no Ártico e na Antártida


Agora é oficial: o Ártico e a Antártida estão esquentando mais rápido do que se imaginava e seus mantos de gelo, especialmente o da Groenlândia, estão derretendo sob influência do aquecimento global. As conclusões são do maior esforço de pesquisa já feito sobre as regiões polares, que envolveu mais de 10 mil cientistas de 60 países, incluindo o Brasil.

Um relatório preliminar divulgado ontem em Genebra, que encerrou esse esforço de pesquisa, o 4º Ano Polar Internacional, afirma que "parece certo agora que tanto o manto de gelo da Groenlândia quanto o da Antártida estão perdendo massa e portanto aumentando o nível do mar, e que a taxa de perda de gelo na Groenlândia está crescendo".

O degelo acelerado dos polos é uma das maiores incertezas nos modelos do aquecimento global. Se derretidos, o oeste da Antártida e a Groenlândia elevariam o nível do mar em vários metros, o que seria desastroso para a humanidade.

No entanto, como o comportamento das geleiras antárticas e árticas é muito complexo, até agora tem sido impossível estimar a contribuição total do degelo polar para o nível do mar no futuro (no leste da Antártida, por exemplo, o gelo parece estar aumentando).

Essa questão ficou sem resposta no último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), o comitê de climatologistas da ONU, que previu uma elevação de "modestos" 59 cm no nível global dos oceanos até o fim deste século.

Responder se os polos estão ou não perdendo gelo era um dos principais objetivos do Ano Polar Internacional, que começou em 2007 e termina em março. Num esforço de cooperação internacional sem precedentes e com US$ 1,5 bilhão de financiamento, cientistas usaram técnicas como medições por satélite de mudanças na elevação e nos campos gravitacionais dos mantos de gelo.

O resultado não é a última palavra sobre o assunto, mas as pesquisas feitas durante o Ano Polar indicam um balanço de massa negativo, ou seja, mais gelo é perdido do que o que se acumula por precipitação de neve. "Acho que os especialistas discordariam de um cenário de derretimento repentino, instantâneo ou catastrófico", disse à Folha David Carlson, coordenador científico do Ano Polar Internacional.

"Mas acredito que eles dirão que observam uma aceleração do degelo, de forma que poderíamos observar efeitos substantivos no nível do mar em várias décadas ou um século, em vez de vários séculos."

Dados obtidos por navios oceanográficos na Antártida, boias equipadas com termômetros e até mesmo elefantes-marinhos com instrumentos amarrados na cabeça mostram que o oceano Austral está esquentando mais depressa que o restante dos oceanos do planeta.

Segundo o relatório divulgado ontem, há sinais de que o aquecimento global está afetando a Antártida de maneiras "insuspeitada". Ian Allison, um dos coordenadores do Ano Polar Internacional, disse que a primeira região a sentir o efeito das mudanças na Antártida será a América do Sul.

Fonte: Folha de S.Paulo

MP de terras da Amazônia enfrentará dificuldades, diz "The Economist"


A medida provisória que regulariza a posse de terras na Amazônia Legal, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início deste mês, deve sofrer dificuldades para ser implementada, diz a revista britânica "The Economist" na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira.

A nova legislação, publicada no último dia 11 de fevereiro no "Diário Oficial" da União, desburocratiza a regularização fundiária na região e facilita o acesso a títulos de propriedade de terra permanentes a posseiros. O governo prevê que, no prazo de três anos, 80% dos terrenos estejam regularizados.

Citando os resultados "escassos" dos planos anteriores do governo brasileiro para interromper a destruição da Floresta Amazônica, a revista, no entanto, afirma que a MP 458 tem alguns pontos positivos e, "em princípio", funcionamento simples, apesar do ceticismo "justificado" em relação a ela.

"Desta vez, o governo federal parece ter reconhecido a importância de trabalhar com, e não contra, os governos estaduais. (...) Espera-se que [a MP] estimule os posseiros a ficarem e desenvolverem as terras, no lugar de abandoná-las para procurar outro pedaço de floresta virgem."

Exemplificando a posição do governo brasileiro, a publicação traz uma declaração do ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Roberto Mangabeira Unger, em que ele afirma que a MP "vai mudar a equação econômica que fez a pilhagem mais atrativa que a preservação e a produção na Amazônia".

Dificuldades

Mesmo assim, segundo a revista, iniciativas parecidas fracassaram no passado. Entre os motivos para os insucessos anteriores estariam as desavenças entre o governo federal, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e os Estados, além da "confusa" legislação sobre as terras da região.

A "Economist" afirma que, "apesar de alguns destes problemas terem sido resolvidos no novo plano", dado o histórico de antagonismos na região, "o processo [de implementação] não deve ser suave".

Além destas dificuldades, a publicação diz que há um risco de que a facilitação no acesso a títulos de propriedade possa "de alguma forma, estimular a demanda [por terras] na floresta virgem, no lugar de extingui-la".

A revista ainda afirma que o governo do presidente Lula tem "uma atitude indulgente com violações de direitos de propriedade por parte do movimento sem-terra em outros pontos do país, o que o torna um guardião improvável desses direitos agora".

"O novo plano não está fadado ao fracasso, mas os céticos terão que ser convencidos", diz a revista.

Fonte: BBC Brasil