quinta-feira, 28 de maio de 2015

São Paulo realizará 14ª Conferência de Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas.



Há 14 anos acontece em São Paulo a Conferência de Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas, que tem o objetivo de intermediar o diálogo entre cidadãos, instituições, iniciativa privada e governo, para aprofundar a discussão sobre os três pilares da sustentabilidade: ambiental, econômico e social, e propor políticas públicas e legislações de caráter mais objetivo e resolutivo. Esse evento é fruto da lei de autoria do vereador Gilberto Natalini (PV), que é o proponente e o presidente da Conferência.

Evento gratuito que na primeira edição em 2002, reuniu 350 pessoas, 6 parceiros e em 2014 contou com mais de 3.000 participantes e 350 parceiros.

O Projeto Ambientando apoia este evento desde 2008.

"Água e Energia: crise e superação sustentável".

Com este tema, o evento será aberto por uma mesa diretora, onde autoridades de diversas áreas do governo estadual e municipal e entidades da sociedade civil irão expor ações focadas nas questões de sustentabilidade. A palestra magna, que será ministrada por Marina Silva, ambientalista e ex ministra do meio ambiente e os dois painéis contarão com a presença de especialistas da iniciativa privada, governo, universidade e terceiro setor.

O Brasil enfrenta crise hídrica e energética simultaneamente e com dimensões dramáticas. A escassez de chuvas sem precedentes no Centro-Sul, desde o verão 2013/14, ameaça o abastecimento de muitas cidades, incluindo o desta metrópole de 11 milhões de habitantes.

Por outro lado, 80% da matriz de eletricidade tem fonte hidráulica e o nível das represas vem caindo de forma acentuada. Assim este tema se impõe para esta 14ª Conferência, ainda mais considerando que a baixa pluviosidade tem entre suas causas principais as mudanças climáticas e o desmatamento da Amazônia. Estes desafios de enfrentamento da crise na perspectiva de curto prazo, mas também de longo prazo, serão abordados no evento em duas mesas com grandes especialistas.

"Desses eventos já saíram leis importantes para a cidade de São Paulo, como é o caso da Lei de Água de Reuso que já economizou bilhões de litros de água potável na cidade de São Paulo", comenta Gilberto Natalini, proponente do evento.

Cenário de iniciativas sustentáveis

Na área de exposição, o público terá oportunidade de conhecer diversos exemplos de projetos, produtos e serviços alinhados às questões de sustentabilidade, com o conceito de produzir mais e melhor com menos.

Programação:

08h30

Credenciamento

Café de boas vindas

Visita à área de exposição

09h00

Mesa de Abertura

Vereador Gilberto Natalini (PV)

Proponente e Presidente da Conferência P+L e Mudanças Climáticas

Autoridades convidadas

10h00

Palestra Magna - Os desafios para o desenvolvimento sustentável no Brasil

Marina Silva - Ambientalista e ex-Ministra do Meio Ambiente

Participação do Público

12h00

Brunch e Visita à área de exposição

13h00 - Mesa 1

Água: os desafios e aprendizados para preservação deste recurso natural

Discutindo-se soluções de curto e longo prazo na perspectiva do uso racional, reúso e proteção de mananciais

Participação do Público

15h00 - Mesa 2

Energia: fontes renováveis e a matriz energética brasileira

Tratando das oportunidades de desenvolver a eficiência energética e uma matriz limpa e renovável.

Participação do Público

16h30

Apresentação Carta Compromisso

Encerramento

Serviço:

14ª Conferência P+L e Mudanças Climáticas

Data: 22/09/2015

Horário: 8h30 às 17h00

Local: Sede da APCD- Rua Voluntários da Pátria, 547- Santana

Mais informações

Luciana Feldman

Assessora Parlamentar Vereador Gilberto Natalini

lucianafeldman@gmail.com

3396-4405/ www.natalini.com

Sandra Pegorelli

5031-2707- sandra@anggulo.com.br



terça-feira, 14 de abril de 2015

GVces e Página22 lançam o Guia de Inovação para Sustentabilidade em MPE

Resultado de imagem para inovação para sustentabilidade em MPE
No ecossistema da inovação, o dinamismo, a agilidade e a flexibilidade criam ambiente fértil para a busca das mais inventivas soluções. Natural que os micros e pequenos players, que reúnem essas características, se destaquem quando a proposta é encontrar saídas para novos e velhos problemas da humanidade, às voltas com o desafio de alcançar o bem-estar e a justiça social em um mundo de recursos finitos e desequilíbrios crescentes.

Mais ainda do que nas companhias de grande porte, em que estruturas e práticas estão consolidadas, nas micros e pequenas empresas residem oportunidades de promover a inovação em seu nascedouro, de forma inerente ao negócio. Com isso, a expectativa é de maior espaço para inovações de caráter disruptivo, que possam levar a transformações efetivas e com potencial de gerar escala.

A nova economia combina muito bem com o universo dos pequenos, que, por sua vez, têm muito a contribuir com os médios e grandes por meio das cadeias de valor. É o fortalecimento dessa teia e seus vários integrantes (veja gráfico na página ao lado) que o Guia de Inovação para Sustentabilidade em MPE almeja. Iniciativa do GVces e da Revista Página22, o Guia vai além de uma publicação: buscará promover também a interação entre os protagonistas da inovação para sustentabilidade, por meio de um ambiente colaborativo e propositivo.

A metodologia de avaliação e seleção das empresas candidatas a ingressar no Guia está sendo desenvolvida pelo GVces, e o processo de escolha contará com o apoio de um Comitê Seletor formado por especialistas. As empresas selecionadas, bem como os critérios e conceitos utilizados no processo, serão apresentadas na edição especial de novembro de Página22, número 101. A partir daí, estarão abertos os espaços de relacionamento e atividades, tanto presenciais como virtuais. O ciclo da iniciativa será anual. Para esquentar os debates nesse tema, publicaremos reportagens mensais sobre inovação, sempre identificadas com o selo Guia de Inovação para Sustentabilidade em MPE.

Esta é a primeira da série. – por Amália Safatle

Acompanhe o cronograma da iniciativa no site http://www.pagina22.com.br ou escreva para guiadeinovacao@pagina22.com.br. A chamada para identificar micros e pequenas empresas inovadoras que apresentam soluções aos desafios da sustentabilidade está prevista para o mês de maio.

Fonte: Revista Página 22 Número 94 Abril 2015

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Nó em pingo d'água.

POR FÁBIO DE CASTRO COLABOROU CAROL NUNES
Revista Página 22 - Edição 84 - FGV


 Para lidar com a atual crise – que pode estar apenas começando –, será preciso enfrentar a complexidade da governança do sistema, as limitações na capacidade de gestão e a dificuldade para implementar instrumentos de cobrança.

A história da disputa pelo acesso a recursos hídricos remonta aos primórdios da vida em sociedade. No início da Idade do Bronze, o acesso às águas foi um fator determinante para o florescimento das primeiras civilizações. Na Mesopotâmia – região localizada entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque – e no Egito, às margens do Rio Nilo, a disponibilidade de água possibilitou o surgimento das cidades, o desenvolvimento da agricultura, da pecuária e do comércio. Tal prosperidade veio acompanhada também dos primeiros conflitos pelo acesso à água.
A história da disputa pelo acesso a recursos hídricos remonta aos primórdios da vida em sociedade. No início da Idade do Bronze, o acesso às águas foi um fator determinante para o florescimento das primeiras civilizações. Na Mesopotâmia – região localizada entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque – e no Egito, às margens do Rio Nilo, a disponibilidade de água possibilitou o surgimento das cidades, o desenvolvimento da agricultura, da pecuária e do comércio. Tal prosperidade veio acompanhada também dos primeiros conflitos pelo acesso à água.

 Mais de 5 mil anos depois, em um planeta muito mais complexo, a água continua sendo um recurso estratégico, que gera cada vez mais conflitos e cuja gestão se tornou vital para a humanidade. De acordo com o relatório Gestão da Água sob Risco e Incerteza, publicado pela ONU em 2012, “a água é um recurso natural crítico, do qual dependem todas as atividades econômicas e ecossistemas. Sua gestão requer arranjos de governança apropriados que permitam tirar a discussão das margens do governo e levá-la para o centro da sociedade”.

 Essa governança, no entanto, não tem nada de trivial e continua sendo uma dor de cabeça global. A alta complexidade da gestão dos recursos hídricos combina-se com o crescimento populacional, o aumento da demanda associado às melhorias do padrão de vida das populações e fatores externos – como a mudança climática, a expansão agrícola e o desmatamento –, pressionando as reservas hídricas em nível local e regional.

 O Brasil não escapa desse contexto, e a face mais evidente das limitações na capacidade de gestão do sistema hídrico é a crise de abastecimento sem precedentes que castiga o maior centro econômico do País, a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Com o verão mais seco desde 1984, o Sistema Cantareira [1] viu os níveis de seus reservatórios caírem para cerca de alarmantes 13% da capacidade (até o fechamento desta edição, no início de abril).

 O Cantareira,composto por seis barragens interligadas por um complicado sistema de túneis, canais e estação de bombeamento, é responsável por abastecer 14 milhões de pessoas, incluindo 45% da população da RMSP (parcela correspondente a cerca de 9 milhões de habitantes).

A fim de evitar o colapso, o governo paulista propôs uma polêmica obra emergencial de transposição das águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira. O projeto foi apresentado à presidente Dilma Rousseff. O governo fluminense, por sua vez, criticou duramente a proposição e também procurou a chefe do Executivo, afirmando que recorreria à Justiça caso o projeto fosse aprovado. O Ministério Público Estadual classificou a crise do Sistema Cantareira como “o maior conflito pela água no Brasil”.

 “No momento em que os governadores começam a recorrer ao governo Federal em uma competição pela água, já fica demonstrado que os problemas do acesso aos recursos hídricos não está sendo tratado no âmbito da gestão”, comenta a consultora especializada em serviços ambientais Marussia Whately, ex-coordenadora do Programa Mananciais do Instituto Socioambiental (ISA). “A situação do Sistema Cantareira é muito grave e trata-se claramente de um problema de gestão. Já se sabia há uma década que era preciso diminuir a dependência desse sistema e em 2009 um estudo apontou que ele tinha déficits importantes. Foi irresponsável ficar contando com as chuvas”, afirma Marussia.

 Mas, afinal, de quem é a responsabilidade? A incerteza sobre esse ponto revela que os problemas de gestão têm sua raiz na ausência de um arranjo adequado de governança (mais em entrevista com o ex-presidente da ANA José Machado). Na opinião de Marussia, a crise foi desencadeada por um evento climático extremo, que não foi previsto porque a Sabesp não fez um acompanhamento metodológico adequado. No entanto, não cabe à empresa de saneamento o papel de fazer essa gestão, já que se trata de uma companhia de economia mista que visa lucro.

 “A Sabesp tem se mostrado eficiente nos investimentos para redução de perdas e aumento da capacidade de abastecimento – porque isso dá lucro. Mas se trata de uma empresa que vende água e não faz sentido que ela convença seus consumidores a reduzir o consumo e o desperdício, o que é fundamental na gestão sustentável da água”, afirma a consultora.

 De acordo com Marussia, jamais poderia caber à Sabesp a decisão de fazer um racionamento, por exemplo. “A Sabesp jamais optará pelo racionamento, mesmo que todos os reservatórios estiverem secos. Temos uma agência reguladora, temos comitês de bacias hidrográficas. Como a decisão pode ser da Sabesp? Esse é o maior indício de desmantelamento do sistema e de uma governança precária”, disse Marussia.

 Para Glauco Kimura de Freitas, coordenador do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil, a crise tem suas raízes em uma falta de planejamento no setor, fruto do pouco interesse do poder público. “Essa crise pode trazer uma grande oportunidade para os governos entenderem que água é diálogo”, afirmou. Segundo Freitas, os recursos hídricos nunca fazem parte da agenda prioritária dos governos, e a agenda de água fica sempre na vista mais baixa dos tomadores de decisão.

 “Vivemos numa cultura da abundância de recursos naturais, de água. Então o Brasil jura que nunca vai faltar água. Mas a questão não é tão imediata, falta planejamento no setor, ela tem de subir na barra de prioridades.”

 A água, elemento transversal por natureza, deve estar incorporada em todos os instrumentos territoriais, de acordo com Freitas. O problema, mais uma vez, recai na questão da governança.

 “Não se integram os planos de geração de energia, de ordenamento territorial do município, de desenvolvimento rodoviário e o Código Florestal à questão dos mananciais, nascentes e áreas de recarga. Então, vê-se cada vez mais um distanciamento das políticas setoriais da gestão de águas, o que deixa os mananciais ainda mais vulneráveis”, declara.

 A crise da água em São Paulo serve de alerta para todo o País, já que as pressões ambientais e sociais que a ocasionaram são as mesmas que se reproduzem, de maneira geral, no mundo: aumento da demanda em um cenário de mudança climática, com crescentes incertezas na regularidade da oferta.

 No Brasil, os números mostram que um aumento no consumo da água gerente de Uso Sustentável de Água e Solo da Agência Nacional de Águas (ANA), Devanir Garcia dos Santos, descreve um círculo vicioso: “A população aumenta, melhora de vida e consome mais alimentos. Os produtores rurais precisam, então, destinar mais áreas para produção de alimentos, a fim de suprir a demanda. Com isso, não apenas usam mais água, como ocupam áreas que antes produziam água. Então, consome-se mais e produz-se menos”.

 De acordo com o Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos, publicado pela ANA em 2013, entre 2006 e 2010, houve aumento de cerca de 29% da retirada total de água no País. O uso para irrigação foi o que mais cresceu: quase triplicou em algumas regiões. A irrigação é a principal responsável pelo uso da água no País, representando 72% do total consumido.

 Segundo Santos, é preciso que as áreas que produzem grãos mantenham-se também como produtoras de água. “Isso requer alguma adaptação, por isso temos alguns programas dedicados à rotação de culturas, construção de sistemas de drenagem e captação de água e implantação de terraços ou estruturas que aumentam a infiltração de água no solo”, diz Santos. As soluções existem, mas o problema é definir quem paga por elas. “Todos se beneficiam da água, mas só alguns pagam. Por isso, as contas não fecham.”

 COBRANÇA: UM CAMINHO

 A cobrança pelo uso da água é o principal instrumento de gestão disponível para tentar fechar as contas (mais em “Saídas Possíveis“). Mas, no âmbito federal, essa ferramenta foi implantada, até agora, apenas em quatro bacias: do Rio Paraíba do Sul, do Rio São Francisco, do Rio Doce e dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). Tudo está ligado. A cobrança viabiliza a gestão, que por sua vez se encarrega de obter dados, monitorar o sistema e produzir informação para um sistema de governança, que faz a gestão compartilhada do sistema.

 Um dos problemas fundamentais do sistema, para Santos, da ANA, é que se tem dado muita ênfase à gestão da oferta de água – isto é, obras que garantam um aumento do abastecimento –, mas pouco tem sido feito no campo da gestão da demanda. “A gestão da demanda passa necessariamente pela adoção de práticas de uso sustentável ou racional da água”, explica.

Entram aí a diminuição de perdas físicas, como vazamentos e evaporação, a redução do desperdício, a educação ambiental da população, a captação da água da chuva nas cidades e o incentivo ao reúso da água. “Um exemplo: os municípios de menos de 50 mil habitantes não têm escala para tratar o esgoto. Mas podem fazer uma planta de tratamento intermediário, que permitirá reutilizar a água para a irrigação agrícola, produção de biomassa, ou alimento para o gado. Isso diminuiria o impacto no consumo dos reservatórios”,sugere Santos.

 Uma boa opção para incentivar o uso racional da água, de acordo com ele, é o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que remunera os agentes responsáveis pela produção de recursos hídricos usando o dinheiro arrecadado com a cobrança pelo uso da água. A ANA mantém há 14 anos o Projeto Produtor de Água, que utiliza esse instrumento. “Um aspecto que dificulta o uso do PSA e de outros instrumentos de gestão é o fato de termos dupla dominialidade: as águas de domínio da União – que inclui os rios que passam em mais de um estado ou em fronteiras – e as de domínio dos estados”, diz Santos.

 O PSA também esbarra em dificuldades técnicas, por ser um instrumento ainda muito novo, de acordo com Elaine Franco de Campos, coordenadora de Projetos da Agência PCJ, órgão que dá apoio técnico ao Comitê da Bacia PCJ. Muitas vezes, diz ela, há recursos disponíveis para o PSA, mas eles não podem ser gastos, porque não se tem os recursos para as outras necessidades envolvidas com cada projeto, como a execução de estudos da área, cercamento e barraginhas, por exemplo.

Com isso, o Projeto Produtor de Água na Bacia PCJ, em 2013, só conseguiu utilizar R$ 150 milhões dos R$ 395 milhões que tinha disponível. “Não se trata só de pagar o produtor de água, é preciso viabilizar muitas outras coisas e, dependendo do local, não há marco legal que permita o pagamento”, disse Elaine.

 Para Juliana Cibim, professora de Direito Ambiental da Faap, a legislação oferece instrumentos e possibilidades para uma boa gestão dos recursos hídricos, mas, na prática, ainda há muito a fazer. “A governança é especialmente complexa nas bacias com muitos municípios, por conta de interesses divergentes e dificuldades de planejamento de longo prazo. E não há dúvida de que temos uma questão de gestão a ser resolvida”, afirma Juliana, que é coordenadora de conteúdo no Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) e defendeu doutorado sobre o desafio da governança da água em bacias transfronteiriças.

 De acordo com ela, a gestão atual não é ruim, mas encontra obstáculos, porque a questão da água não tem o destaque que merece. “A gestão dos recursos hídricos é extremamente complexa e está atrelada ao planejamento urbano, ao Zoneamento Ecológico-Econômico, ao plano diretor das cidades e aos interesses dos diversos atores. É preciso priorizar a questão da água sempre, em vez de dar destaque a ela apenas em momentos de crise como o atual”, diz.

Imagens: Laercio Braga

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Veja 9 dicas para construir uma casa sustentável



Cuidados simples, alguns até já praticados, podem fazer diferença na natureza

Mais que uma realidade, cada vez mais a casa sustentável é uma necessidade. Para ficar no dado: a construção civil é o segmento que mais consome matérias-primas e recursos naturais no mundo, de acordo com o Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica (Idhea). Para ficar no positivo: construções sustentáveis podem reverter o quadro de degradação ambiental e preservar os recursos naturais para gerações futuras.

Em tempos de mudanças climáticas, quanto mais opções que poupem o meio ambiente, melhor. E a maioria das inovações não é cara ou dá retorno financeiro a médio e longo prazo, o que pode sensibilizar bolsos mais resistentes.

Confira abaixo nove dicas para construir uma casa ambientalmente amigável. Na maioria, são cuidados simples, alguns que até já são praticados, que podem fazer diferença na natureza.

1.Como se trata de um mercado em constante renovação, informe-se sempre pela internet e com quem trabalha com esse tipo de material quais são as novas tendências

2.Troque os materiais de construção pelos produzidos com baixo custo ambiental. Por exemplo, tijolo de solo-cimento em lugar do tradicional. Pode custar mais, mas dispensa o acabamento com massa corrida, ou seja, o custo fica zero a zero

3.Isole bem a casa, como forma de aproveitar ao máximo a refrigeração e o aquecimento, evitando desperdício

4.Sistemas de captação de energia solar e de água da chuva são mais complexos de serem instalados, mas dão resultados e retorno do investimento a médio e longo prazo

5.Medidores de consumo de água ajudam a controlar e reduzir o consumo

6.Troque lâmpadas comuns pelas fluorescentes, que consomem menos

7.Em vez de ar-condicionado, use ventiladores de teto. Também servem no frio, para movimentar o ar quente concentrado no alto

8.Algo de baixo trabalho e alto rendimento: plantar árvores. Se forem frutíferas, melhor: você pode consumir a produção e até iniciar sua própria horta

9.Dê preferência a utensílios do lar eletrodomésticos com certificados de que não agridem o meio ambiente, como vassouras feitas a partir de mata desmatada legalmente

10 hábitos simples para ajudar o planeta



Dez hábitos básicos para toda pessoa ajudar a enfrentar o efeito estufa


Descobrir como diminuir os gases poluentes e tornar o planeta um lugar ecologicamente seguro e viável não é uma tarefa difícil. Pequenos gestos e a mudança de hábitos diários já fazem o resultado aparecer. Com ajuda da ONG Iniciativa Verde, veja 10 maneiras básicas de diminuir a emissão individual de gases que ampliam o efeito estufa (GEE):

Tem um carro? Cuide dele – e faça a manutenção do veículo. Um motor mal cuidado pode consumir 50% a mais de combustível, além de produzir 50% mais dióxido de carbono (CO2).

Olho no pneu. Faça a calibragem a cada duas semanas pelo menos.

Prefira veículos movidos a álcool ou os biocombustíveis. O álcool é uma fonte de energia renovável, ao contrário da gasolina, do diesel ou do gás.

Em casa, substitua o ar-condicionado pelo ventilador.

Não deixe muitos eletrodomésticos ligados ao mesmo tempo, principalmente se tiver mais de um para funções semelhantes, como geladeira e freezer.

Troque as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes, que consomem cerca de três vezes menos energia e ainda podem durar até dez vezes mais. Ajuda também na redução da conta de luz.

Não deixe luzes ou equipamentos ligados. Configure o computador, por exemplo, para que desligue seu monitor quando estiver em espera.

Evite imprimir ou utilizar papel. Dê preferência ao e-mail e sempre que possível use papel reciclado.

Separe papéis e papelão para reciclagem quando for descartá-los.

Separe os materiais recicláveis, pois isso, alem de reduzir a exploração de matéria-prima bruta, dispensa os gastos de energia e combustíveis fósseis no processo de fabricação e transporte.

As árvores são importantes porque ajudam a absorver o CO2 da atmosfera, além de proporcionar sombra e amenizar a temperatura. Se plantadas perto de residências, por exemplo, elas ajudam a controlar o calor, que reduz o uso de condicionadores de ar ou ventiladores. Portanto, plante árvores!

Fonte: Terra

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Vazamento no golfo do México é de até 60 mil barris por dia, e não 35 mil.

Uma equipe de cientistas americanos elevou nesta terça-feira sua estimativa para o vazamento de petróleo do poço da British Petroleum no golfo do México. Os cientistas afirmaram que "provavelmente, a vazão de petróleo hoje" varie entre 35 e 60 mil barris por dia. Isso representa um aumento significativo em relação à estimativa anterior, de entre 20 e 40 mil barris por dia.

Em litros, representa entre 5,5 e 9,5 milhões de litros de petróleo vazando por dia no golfo do México, segundo os novos cálculos, e representa até 3,1 milhões de litros a mais do que calculava o governo norte-americano até agora.

Depois de uma reunião de cientistas independentes e do governo convocada pelos secretários de Energia, Steven Chu, e de Interior, Ken Salazar, os especialistas determinaram que "o fluxo mais provável" alcança entre 35 e 60 mil barris diários.

Até agora, os cientistas calculavam que o fluxo representava um volume de até 40 mil barris por dia (6,4 milhões de litros).

O "funil" de contenção colocado no final de maio sobre o poço pode capturar até 18 mil barris diários. Por isso, a BP (British Petroleum) instalará um segundo dispositivo do tipo, conhecido como Q4000, que poderia conter entre 20 e 28 mil barris.

No total, a estratégia de contenção que a BP desenvolveu, a pedido do governo americano, prevê expandir a capacidade de captura de petróleo para entre 40 e 53 mil barris diários no final deste mês e de 60 a 80 mil barris até meados de julho.

Os cientistas levaram em conta as análises de uma série de vídeos de alta resolução, tecnologias acústicas e o volume recolhido no navio petroleiro que recebe o óleo.

A BP se viu obrigada a suspender hoje durante cinco horas as tarefas de transposição devido a um pequeno incêndio no navio de armazenamento.

O vazamento de petróleo no golfo do México, a catástrofe ecológica mais grave da história dos EUA, começou por causa da explosão e conseguinte afundamento no mar da plataforma "Deepwater Horizon", administrada pela BP, em abril. O incidente deixou 11 mortos.

Energias renováveis podem gerar crescimento económico.



Estudo mostra que investimentos na area impactam na economia mundial.

Estudo lançado no último dia 7 pelo Greenpeace, em parceria com o Conselho de Energia Renovável Europeu (Erec), mostrou que investimentos em energia eólica e solar, aliados a mudanças nos paradigmas de produção e consumo, reduzem a liberação de carbono e garantem um crescimento econômico em padrões mundiais.

Segundo a previsão da terceira edição do relatório Revolução Energética: Um Mundo de Energia Sustentável, até 2030 será possível cortar emissões de CO2 produzindo energia eficiente, limpa e segura. Além disso, o reflexo macroeconômico poderá ser visto na geração de 8,5 milhões de empregos em todo o planeta.

Ligada ao setor da indústria de renováveis, a pesquisa ainda prevê dois cenários energéticos diferentes, baseados no tipo de investimento e política pública para o setor. Um primeiro, mais moderado, analisa que o uso seis vezes maior de renováveis implicará em redução de 50% das emissões de carbono até 2050. O segundo cenário, mais avançado, presume cortes de emissão de até 80%.

Atualmente, as energias renováveis representam 13% da demanda mundial, enquanto 80% da produção ainda depende de combustíveis fósseis. De acordo com os pesquisadores, para inverter este valor até 2050, é preciso projetar o futuro a partir de fontes como biomassa, eólica e solar, além de investir em mudanças nos modelos de distribuição e consumo de energia, como redes de transporte mais eficientes e emprego de equipamentos modernos na produção. 

Segundo os resultados apresentados, se as conclusões do documento forem seguidas, até 2030 serão criados 12 milhões de empregos -- 8,5 milhões apenas no setor de renováveis. O número seria 33% maior do que o gerado caso se mantenha o investimento somente em combustíveis fósseis.



Além de compensar a demanda maior vinda de países em desenvolvimento, o estudo garante que a quantidade de energia. poupada graças a investimentos bem feitos pode significar a possibilidade de acesso à energia para 2 bilhões de pessoas que ainda vivem em áreas remotas, alijadas da rede de distribuição mundial.

Casa Sustentável, é viável?


Arquiteta Juliana Boer dá dicas para casa sustentável
A benefícios para o planeta somam-se os ganhos no bolso do consumidor

Transforme sua casa em um espaço ecologicamente correto. Algumas mudanças nem implicam em obras, basta economizar principalmente nas contas de água e de energia. As dicas são de Juliana Boer, 34 anos, responsável, junto com sua sócia Maira del Nero, pelo escritório de arquitetura sustentável Cria Arquitetura. Confira a entrevista:

- O que é arquitetura sustentável?

A arquitetura sustentável é aquela que leva em consideração os impactos ambientais gerados por uma obra durante a época de construção, durante o uso da edificação e, inclusive, considerando depois a possibilidade de desmontá-lo.

- Quais os grandes benefícios de uma construção dentro dos padrões de sustentabilidade?

Uma construção mais sustentável e liberal vai ter parâmetros mais eficientes. Logo, os custos de operação são mais baixos. Gasta-se menos energia, menos água e tudo mais. Adicionalmente, você tem ambientes mais saudáveis já que sustentabilidade implica em materiais mais adequados à saúde. Outra questão: há um benefício público já que você aproveita melhor a infra-estrutura oferecida pela cidade.

- Quais as diferenças entre material ecologicamente correta e o convencional?

Para material ecologicamente correto leva-se em conta se a matéria-prima é reciclada, renovável, se o material tem alto consumo de energia ou não na construção. Outras questões são se emite algum poluente e se gera resido ou é biodegradável.

- Há medidas simples que podem ser implementadas em nossas casas sem que seja necessária uma obra?

Há várias que não implicam na construção. São as clássicas economias de água, de energia. Isso já impacta positivamente naquilo de consideramos sustentabilidade da construção. Fora isso, tem as questões bem básicas como utilizar luminárias com lâmpadas mais eficientes, pintar a casa de branco, usar sistemas economizadores de torneira com temporização ou areador. São coisas que não implicam em reforma e são fáceis de fazer.

- Ao elaborar um projeto, o que deve ser levado em conta?

Primeiro minimizar o consumo de energia através de várias maneiras. Entre elas, usar formas alternativas e produtos com gastos mais eficientes. Depois, minimizar igualmente o consumo de água com seu uso racional e procurando fontes alternativas como a chuva. Deve ser levado em conta também as especificações de materiais mais adequados e sustentáveis. Claro, sem esquecer o conforto. Alguns arquitetos usam sistemas passivos. São soluções da arquitetura para demandas específicas sem que aja um equipamento específico. Por exemplo, colocar janelas em determinados locais para melhorar a iluminação ou a demanda de ventilação.

- É mais caro ser eco-sustentável?

As tecnologias utilizadas pela arquitetura sustentável por serem sofisticadas não são mais baratas que as convencionais. Mas, em geral, como há um ganho de eficiência e desempenho, os custos serão menores na operação do edifício. Na verdade, ser mais caro ou ser mais baratos não tem nada a ver com sustentável e sim com o projeto. Por exemplo, no uso de tijolo alternativo, a unidade é mais cara. Mas, como é usado de forma mais inteligente e racional, sem gastos exagerados, no fim, a obra acaba ficando mais em conta do que se fosse usado tijolo tradicional.

- O uso de matéria-prima ecologicamente correta compromete o design?

De forma alguma. É uma discussão que já houve e acho estar superada. Minha sócia foi à feira de Milão, onde havia várias estantes com o melhor do design. Todas super sustentáveis. Design é uma questão de criação, o material é apenas a base. Essa idéia de casa sustentável igual à casa de pescador acabou. Hoje, da junção de borracha, alumínio, milho, vidro e pó de pedra gera-se produtos altamente sustentáveis e high-tech.

- Qual o cômodo da casa mais prejudicial ao meio ambiente? O que pode ser feito para melhorá-lo?

O banheiro é o grande violão por juntar vários outros violões em seu funcionamento. Se você não tem o chuveiro elétrico ou usa com aquecimento solar de maneira errada, você vai deixar horas até a água esquentar. Há também a questão do esgoto não ser necessariamente tratado. A dica é usar equipamentos economizadores no chuveiro e na torneira, além de colocar válvula dupla na bacia sanitária. O esgoto também pode ser tratado e aproveite para reutilizar água de chuva na bacia sanitária.

- O Brasil está pronto para receber esses projetos ou ainda esbarra em problemas de consciência, legislação e matéria-prima?

O consumidor está pronto e aberto, mas temos problemas de legislação e da falta de dados no país. Tudo que é bom as pessoas aprendem a consumir rápido, mas o problema passa por legislações mais lentas que as tecnologias. Às vezes temos conhecimentos, mas as leis antigas inviabilização seu uso.

Fonte: Terra

terça-feira, 11 de maio de 2010

Relator vê "lacunas" em nova política de manejo de lixo


O relator do projeto que cria a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos), senador César Borges (PR-BA), afirmou nesta quarta-feira, em audiência pública, que compartilha com o setor empresarial a preocupação sobre a viabilidade da implementação das medidas e a ausência de incentivos econômicos na proposta.

Segundo o texto, aprovado pelos deputados e em análise no Senado, a responsabilidade sobre a destinação do lixo, que hoje pesa exclusivamente sobre os municípios, passará a ser dividida com as empresas. Baterias, pilhas, pneus, lâmpadas fluorescentes e eletroeletrônicos, por exemplo, terão logística reversa (retorno de produtos passíveis de reaproveitamento a quem os fabrica).

"O projeto representa um avanço, pois oferece um marco regulatório para essa área, mas possui lacunas. Faltou especificar o que cabe a cada um", afirmou Borges, que relata a proposta na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

Com a nova lei, envolvidos na cadeia de comercialização de um produto (desde a indústria até as lojas) terão que chegar a um consenso sobre a responsabilidade de cada parte. Os setores terão até o final de 2011 para apresentarem suas propostas de acordo. Quem perder o prazo ficará sujeito à regulamentação do governo federal.

Para o senador, boa parte da responsabilidade quanto à execução da política vai recair sobre os municípios, que "não têm recursos suficientes para essa tarefa". Ele sugeriu que um novo projeto ou medida provisória discrimine a verba que será destinada para as prefeituras.

O relator também disse ver falta de previsão de incentivos para estimular a indústria da reciclagem, já que a PNRS tem como meta priorizar a participação dos catadores no ciclo de coleta.

Segundo o Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), há cerca de 1 milhão de catadores no país. A renda mensal desses trabalhadores varia de 1 a 1,5 salário mínimo, dependendo da região.

"Não há incentivos. Que seriam uma sinalização clara do governo de apoio à política. É preciso fazer a desoneração do setor de reciclagem. Tem que haver política pública", disse Borges.

A diretora-executiva da Abre (Associação Brasileira da Embalagem), Luciana Pellegrino, disse à Folha que também falta na PNRS incentivo para o setor produtivo. O trecho do projeto que tratava das alíquotas de incentivo fiscal foi retirado para que a discussão avançasse. Não havia consenso sobre valores, segundo o secretário nacional de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Silvano Silvério da Costa.

"Acredito que esses incentivos terão que ser resgatados para que haja reconhecimento e fortalecimento de empresas que já estão investindo em sustentabilidade", afirmou Pellegrino.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o "texto que veio para o Senado é muito bom. Sintetiza todo o debate e todo o consenso construído na Câmara".

Aprovado pelos deputados em março, o projeto da PNRS terá tramitação simplificada no Senado para permitir a sanção de Lula em junho. A proposta original, de 1991, recebeu uma série de mudanças para chegar ao texto atual, que somente pode ter partes suprimidas, mas não alteradas, pelos senadores.

Fonte: Folha Online

Não engane a Mãe Natureza


Existe apenas uma resposta significativa ao horrível derramamento de petróleo no Golfo do México, e é os Estados Unidos pararem de embromar quando se trata de definir o futuro de sua energia e do meio ambiente. A única resposta significativa a esse desastre provocado pelo homem é um projeto de energia feito pelo homem que finalmente estabeleça uma infraestrutura de energia limpa para colocar o país em um caminho real e de longo prazo no sentido de acabar com nosso vício ao petróleo.

Isso, obviamente, é a coisa certa para nosso meio ambiente, a coisa certa para nossa segurança nacional, a coisa certa para nossa segurança econômica e a coisa certa para promover a inovação. Mas significa que temos de parar de perder tempo com a panacéia estúpida do "perfure, baby, perfure" (mote dos políticos republicanos), com os shows musicais água com açúcar do Dia da Terra e com a idéia paralisante de que o povo americano não está preparado para fazer nada sério para mudar nossa matriz energética.

Esse derramamento de petróleo é para o meio ambiente o que a bagunça das hipotecas "subprime" (de alto risco de inadimplência) foi para os mercados - ambos uma advertência e uma oportunidade de galvanizar o eleitorado para uma mudança radical que se sobreponha aos poderosos lobbies e interesses adquiridos que querem nos manter viciados no petróleo.

Se nos contentarmos com apenas um resposta gradativa para essa crise - um "ei, isso é a nossa democracia. O que mais vocês podem esperar?" -, iremos lamentar. Você não pode enganar a Mãe Natureza. Ela sabe quando estamos apenas enrolando. A Mãe Natureza opera conforme suas próprias "leis de ferro". E, se as violarmos, não haverá lobby ou grande doador para nos livrar do problema. O que passar terá passado. O que for destruído estará destruído. O que for extinto estará extinto - e, mais tarde, quando finalmente estivermos dispostos a parar de enrolar, será tarde demais.

Fonte: New York Times

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Plástico capaz de conduzir energia dá novo alento a painéis solares

O custo de produção de painéis solares pode cair com uma nova técnica de fabricação de plásticos condutores de eletricidade desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Princeton. "Os polímeros condutores (plásticos) estão por aí há bastante tempo, mas processá-los para fabricar alguma coisa útil degradava sua capacidade de conduzir eletricidade. Nós descobrimos como evitar esse inconveniente. Podemos moldar o plástico em formas úteis, mantendo sua alta condutividade ," afirma Yueh-Lin Loo, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, que faz parte do grupo internacional de pesquisadores que estuda o assunto.


Com a descoberta, a eletrônica orgânica torna-se mais promissora para a produção de novos dispositivos e para o desenvolvimento de novas formas de produção dos já existentes. Ela resolve o problema da perda de condutividade que ocorria no momento do molde dos plásticos à base de carbono – por isso o termo orgânico. Os plásticos translúcidos, maleáveis e capazes de conduzir eletricidade representam uma alternativa de baixo custo ao óxido de índio-estanho, material caro usado em painéis solares.

Os pesquisadores desenvolveram uma maneira de manter a condutividade do material depois de moldado. Eles construíram um transistor de plástico, o componente fundamental da eletrônica, usado para amplificar os sinais eletrônicos. Os eletrodos do transistor foram depositados sobre a superfície de silício por uma técnica de impressão, de forma similar à que uma impressora jato-de-tinta utiliza para depositar a tinta sobre o papel - com a diferença de que a "tinta" é o polímero condutor de eletricidade.

Hoje, a eletricidade gerada pelas células solares plásticas, ou orgânicas, é coletada por um fio metálico transparente, feito com óxido de índio-estanho. "É possível distribuir plásticos condutores em cartuchos, como se vende hoje tinta da impressora, e você não precisa de máquinas exóticas para imprimir os padrões," disse Loo, ressaltando que isso torna o processo de fabricação em série de circuitos eletrônicos tão rápido e barato quanto imprimir um jornal. Com isso, seria possível reduzir significativamente os custos das células solares pela fabricação em rolos e em rápido processo e pela substituição do óxido de índio-estanho por plástico de custo muito menor.

"Para reduzir os custos das células solares orgânicas, temos de encontrar um substituto para o óxido índio-estanho. Nossos plásticos condutores deixam a luz solar passar, tornando-se uma alternativa viável", diz Loo.

Fonte: Redação Sociedade Sustentável / Terra.com.br

Para ambientalistas, avaliação do Código Florestal deve ser deixada para 2011

A bancada ambientalista e organizações não-governamentais querem que possíveis mudanças no Código Florestal sejam discutidas no ano que vem, após as eleições. O ponto de vista não é compartilhado pelo relator da comissão especial da Câmara que avalia as alterações, deputado Aldo Rebelo. Para ele, o assunto deve estar concluído até outubro.


O relatório de Rebelo deve ser apresentado neste mês. “Os ambientalistas têm todo o tempo do mundo, os produtores rurais não. Eles têm uma safra todo ano para colher. A safra dos produtores rurais não depende da ajuda dos governos europeus, depende do trabalho deles, ao contrário dos ambientalistas”, diz.


Os grupos e políticos ambientalistas temem que a mudança na legislação ambiental em época de eleições seja usada como moeda de troca por parlamentares ligados ao agronegócio para garantir apoio em suas bases. “A bancada ruralista permeia toda a base aliada e tem enorme poder de fogo”, diz o deputado Ivan Valente.

Fonte: Redação Sociedade Sustentável / Terra.com.br

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Deputado relator defende mudanças no Código Florestal; ruralistas aplaudem.


Aplaudido por ruralistas, o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP) disse nesta quarta-feira (3) numa audiência pública em Ribeirão Preto para debater o Código Florestal que alguns membros do Ministério Público agem como "braços jurídicos das ONGs" ambientalistas.

Ele é relator da comissão especial da Câmara para dar parecer ao projeto de lei nº 1.876, de 1999, que propõe alterações na lei de proteção às florestas, em vigor desde 1965.


O deputado Aldo Rebelo (PC do B - SP, de pé), em Ribeirão Preto; ele acusa procuradores como "braços de ONGs" ambientais
Ele defende a revisão do código, argumentando que, do jeito que está, a lei prejudica o agronegócio e a economia do país.

Em discurso, Rebelo afirmou que as "mudanças que venham a ser introduzidas serão promovidas com equilíbrio, temperança e moderação".

Reserva legal

O principal ponto de divergência entre ruralistas e ambientalistas é a chamada reserva legal, a porção das propriedades rurais que deve ser mantida como vegetação nativa.

Segundo a lei atual, áreas na mata atlântica devem ter pelo menos 20% de reserva legal. No cerrado, esse percentual sobe para 35% e, na Amazônia, para 80%.

Os produtores rurais, representados, entre outras entidades, pela Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), defendem a flexibilização da reserva.

Sua proposta tornaria possível, por exemplo, que produtores rurais de São Paulo adotassem medidas de compensação ambiental em outros Estados.

"Da forma como está [o Código Florestal], são mais de 3 milhões de hectares em que São Paulo deixaria de produzir", disse o secretário de Estado da Agricultura, João Sampaio.

A promotora Cristina de Araújo Freitas, do Ministério Público Estadual, criticou a proposta e foi vaiada.

Segundo Moacir Micheletto (PMDB-PR), presidente da comissão, a ideia é que o relatório final com o parecer sobre o projeto fique pronto até o final deste mês e passe na Câmara e no Senado até o fim de abril.

Defesa das ONGs

Em outubro, uma coalisão de 15 ONGs ambientais, entre elas SOS Mata Atlântica, WWF e Greenpeace, enviaram comunicado conjunto contra as propostas de revogação da legislação ambiental brasileira em tramitação no Congresso.

O comunicado alertava sobre o risco de "revogação ou modificação das principais leis ambientais brasileiras", como o Código Florestal brasileiro, a Lei de Política Nacional de Meio Ambiente, a Lei de Crimes e Infrações contra o Meio Ambiente e a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

"As organizações abaixo assinadas alertam a sociedade brasileira para a gravidade da proposta da bancada ruralista no Congresso Nacional (PLs 1876/99 e 5367/09) que tramita em comissão especial formada por maioria de parlamentares ligados ao agronegócio", diziam as ONGs.

Elas alegavam que "os principais instrumentos de gestão ambiental em vigor como a criação de unidades de conservação, as reservas florestais legais, as áreas de preservação permanente, o licenciamento ambiental e o Conselho Nacional de Meio Ambiente poderão ser revogados ou enfraquecidos para atender exclusivamente por encomenda setorial dos ruralistas".

Fonte da Folha de S. Paulo, em Ribeirão Preto

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Como na escravidão, temos aqui uma questão moral


A semana dos chefes de Estado começa e a sociedade civil conclama que a presença deles seja para um resultado consistente. Essa foi a mensagem central da conferência de imprensa da CAN (Rede de Ação pelo Clima), hoje pela manhã.

Dando início ao encontro, Alden Meyer, da Union of Concerned Scientists, reforçou de certa maneira o aviso dado pela presidente da COP no sábado de que ainda existem muitos pontos a serem resolvidos como metas de mitigação, financiamento de longo prazo e a questão do caráter dos instrumentos - como se manter um trilho específico para Kyoto e adotar um instrumento pós-Kyoto ou fazer a fusão dos documentos em um mesmo texto. “Os negociadores continuarão a trabalhar nas questões mais técnicas, mas agora as decisões centrais estarão nas mãos dos líderes governamentais”, avisou Meyer.

Marcelo Furtado, do Greenpeace Brasil, lembrou o contexto das negociações. “Estamos com mais de 700 dias de negociações desde Bali. O que temos aqui é decepcionante. Temo à nossa frente uma cena de crime.” Segundo Furtado, os negociadores admitem não conseguir chegar a um acordo e por isso se faz ainda mais necessária a presença dos líderes de Estado. “A pergunta é: existe a possibilidade de se vencer as lacunas em questão?”, pergunta Marcelo Furtado. “Os países foram demandados a virem aqui com um número, uma meta, e de vir com dinheiro para a mesa. Mas não foi o que aconteceu até o momento.”



O maior sintoma de revés nessa história tem sido para a CAN a mudança de foco para a questão de financiamento de curto prazo, num desvio da discussão sobre o financiamento de longo prazo. Furtado considera inadmissível os países desenvolvidos recusarem a ajuda proposta de 200 bilhões de dólares por ano aos países em desenvolvimento. “Se a indústria de comida para gatos e cachorros gera por ano 40 bilhões de dólares, como não é possível uma ajuda internacional de 200 bilhões?”

Furtado ressaltou as três principais lacunas das negociações nesse momento: mitigação, questão financeira e liderança política. “Não é hora dos governantes chegarem aqui sem liderança, sem decisões efetivas, com relutância”, contestou. “Há 120 anos, a reação do Brasil para cortar o tráfico escravo foi que isso significaria um problema econômico grande demais para o país naquele momento. O que fez a questão avançar foi um argumento moral. Hoje, temos uma questão muito parecida”, argumentou Marcelo Furtado.

Os representantes da CAN fizeram um último comentário sobre a posição dos países africanos. “Eles estão incomodados com algumas medidas da presidência da COP que parecem unir os dois trilhos em um só (Kyoto e LCA). O que eles defenderam foi manter a bifurcação, caso contrário seria uma manobra favorável aos desenvolvidos”, explicou Meyer. “O problema da iniciativa dos países desenvolvidos de sair da moldura de Kyoto eles indicam que podem deixar um formato conhecido para outro que não se tem idéia o que é. Aí corremos o risco de cair num abismo."

Fonte: Ricardo Barretto - Observatório do Clima, 14/12/2009

COP 15: As tempestades de Copenhague

Eventos extremos, como as chuvas dramáticas, não estão acontecendo apenas em São Paulo, no Sul e em outras partes do País. Outros tipos de tempestade estão acontecendo também em Copenhague, na reunião da Convenção do Clima – de onde estas linhas estão sendo escritas na quinta-feira. Elas acontecem até mesmo nas negociações para um acordo que possa levar todos os países a reduzir suas emissões de gases que contribuem para o aquecimento da Terra e a intensificação das mudanças climáticas.



A primeira tempestade maior aqui aconteceu com o vazamento, pelo jornal The Guardian, do texto de um documento confidencial submetido pelo governo da Noruega a uns 15 países, entre eles Estados Unidos, China, Brasil, Índia e vários europeus, com propostas muito polêmicas:

* Criar um grupo intermediário entre países industrializados e subdesenvolvidos, para China, Brasil, Índia e outros “emergentes” (o que quebraria a unidade do G-77);

* exigências maiores de redução de emissões pelos subdesenvolvidos, mas sem criar obrigações maiores de financiamento para os países mais ricos;

* nenhuma proposta de um acordo obrigatório, como o de Kyoto, para o período após 2012, quando termina a vigência da fase atual.

O documento confidencial foi recolhido pela Dinamarca, diante das dissensões, mas a tempestade inevitável foi forte e obrigou a muitas explicações e tomadas de posição, inclusive do Brasil, que discordou das propostas.

A segunda tempestade veio dois dias depois, com uma proposta do país-ilha Tuvalu (um dos mais de 30 ameaçados de desaparecer com a elevação do nível dos oceanos), apoiada por várias nações africanas e outros países-ilhas, que exigem a aprovação, aqui, de um documento vinculante, obrigatório para todos os países e mais duro que o Protocolo de Kyoto. E isso é praticamente impossível, não apenas por causa de discordâncias de muitos países, mas também porque os Estados Unidos não poderiam assiná-lo em Copenhague, já que nem a proposta do presidente Barack Obama para a área do clima foi ainda aprovada pelo Senado – o que é indispensável. Estabelecida a discórdia, as negociações tiveram de ser suspensas no plenário mais amplo. E só continuam nos vários grupos de trabalho (implementação, cooperação a longo prazo, assessoramento técnico e científico, novas metas para os países industrializados, etc.). Mas a suspensão ameaça o resultado final da convenção, porque um acordo teria de ser alcançado até o começo da próxima semana, para ser submetido aos chefes de Estado que chegarão. E nas convenções da ONU qualquer decisão tem obrigatoriamente de ser aprovada por consenso – basta um voto para impedir.

As alternativas são difíceis. A primeira, convocar para o primeiro semestre de 2010 uma prorrogação desta reunião (chamada COP 15), na prática seria quase impossível, por coincidir com a Copa do Mundo de Futebol prevista para a África do Sul, que é um dos países importantes do grupo dos “emergentes”. A segunda, deixar tudo para a COP 16, em dezembro de 2010, no México, certamente provocaria uma enorme decepção aqui e em toda parte, dadas a urgência das questões e as pressões crescentes da sociedade em toda parte. E isso no momento em que até representantes de ONGs em Copenhague (há milhares de todo o mundo na COP15) se mostram cautelosos nas palavras, preocupados com não serem acusados de estar acentuando o pessimismo num momento crucial. E tudo isso sem falar ainda em condições apresentadas por vários países, como a norte-americana de não aceitar outro protocolo como o de Kyoto ou homologar o atual – além de não aceitarem financiar a China.

O Brasil tem aproveitado a enorme afluência de pessoas na reunião para ganhar apoio para programas de bioenergias, fundo amazônico gerido pelo BNDES ou o fundo REDD (com doações de outros países para projetos que evitem desmatamento). Da mesma forma, tem capitalizado a boa repercussão de suas metas voluntárias para redução de emissões. Mas sua delegação está muito preocupada, inquieta, com o impasse mais amplo nas negociações, que pode dificultar tudo.

Os impasses trazem de volta discussões antigas, sobre formas de superar problemas como a exigência de consenso para decisões. Mas as alternativas já foram discutidas em outras COPs, como a de criar uma organização mundial só para o meio ambiente, separada da ONU. Só que ela enfrentaria problemas semelhantes: como ter regras universais sem a concordância de todos os países? E a urgência de decisões é implacável. Ainda há poucos dias a Organização Meteorológica Mundial advertiu que esta primeira década do século 21 está sendo e será a mais quente desde 1850, com temperatura média superior à da década de 1990, que já fora mais quente que a de 1980. Há uma corrida contra o tempo, que não está sendo ganha.

Não têm mudado o rumo nem mesmo advertências dramáticas, como as do ex-secretário-geral da ONU Kofi Anan, mais de uma vez citado neste espaço: hoje, a maior ameaça global não está no terrorismo, como parece; está nas mudanças climáticas e nos padrões de consumo vigentes, já além da capacidade de reposição do planeta; essas questões é que ameaçam “a sobrevivência da espécie humana”. Palavras que, na boca de um diplomata experiente e competente, não podem ser postas de lado. Quem está vivendo os dramas do clima em São Paulo ou no Rio Grande do Sul sabe disso. Quem conhece os diagnósticos para o Brasil, feitos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – para a hipótese de as emissões globais continuarem crescendo -, também teme o que possa acontecer sem novas regras.

Fonte: O Estado de S.Paulo - artigo de Washington Novaes.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Fome de ar, água e comida



Os donos do mundo e seus sábios reunidos em Copenhague ainda não se entenderam sobre como salvar o planeta. A COP15 já funcionou, porém, como uma martelada na cabeça dos líderes, alertando-os para a superlotação da Terra e a dramática escassez de recursos naturais

Antes que você acabe de ler esta frase, terão nascido no mundo quarenta bebês, enquanto vinte de nós terão deixado o plano material para prestar contas a Deus. O saldo é a chegada, a cada dez segundos, de vinte novos moradores da Terra, prontos para crescer, estudar, trabalhar, namorar, casar e ter filhos. Há dez anos, em 1999, o planeta estava na confortável situação de receber cada novo morador com comida e água na quantidade necessária para que ele conseguisse atingir seus sublimes objetivos na vida. De lá para cá, começou a se delinear um novo e desafiador cenário para a espécie humana. A demanda por comida e outros bens naturais passou a crescer mais rapidamente do que a oferta, como mostram as curvas desenhadas no globo da página anterior. Elas não foram parar ali por acaso. Aquele globo esverdeado e translúcido é, até agora, a imagem que melhor identifica a COP15, a reunião de representantes de 192 países que tem lugar em Copenhague, na Dinamarca. Esses senhores e seus assessores científicos têm como missão chegar a um acordo mundial para conter o ritmo do aquecimento global. Esse fenômeno é normalmente benéfico, mas saiu de controle, aparentemente como resultado da atividade industrial humana, e agora pode desarranjar o clima da Terra a ponto de ameaçar a sobrevivência de inúmeras espécies e impor um modo de vida mais áspero e severo à própria humanidade.

A COP15 acaba no fim da próxima semana, e seu encerramento está sendo esperado com tal ansiedade que muitos nem sequer cogitam, por assustadora, a possibilidade de um fracasso. Talvez se deva começar a pensar com mais realismo nessa possibilidade. Por razões metodológicas e ideológicas, e também para não ampliar em demasia a pauta das discussões, dificultando ainda mais um acordo final, a questão populacional está em plano secundaríssimo em Copenhague. É estranho que ela tenha sumido dos debates sobre as soluções do aquecimento global, quando se sabe que esteve na base do seu diagnóstico desde o primeiro momento em que o aquecimento global foi visto como um perigo potencial. Quando o físico sueco Svante Arrhenius concluiu seus cálculos pioneiros sobre o efeito das moléculas de gás carbônico (CO2) no aumento da temperatura média do planeta, em 1896, a Terra era habitada por cerca de 1 bilhão de pessoas. Arrhenius foi o primeiro a perceber que o aumento na concentração de CO2 poderia aquecer demais o planeta. Pouco mais de um século depois do trabalho do sueco, a Terra tem 6,8 bilhões de habitantes e caminha para os 9,2 bilhões por volta de 2050. Serão 2,5 bilhões de pessoas a mais, e, graças ao sucesso da globalização econômica, a maioria delas atingirá um padrão de consumo de classe média. Isso tem um peso extraordinário não apenas na equação do aquecimento global, mas no frágil equilíbrio que a civilização ainda consegue manter em suas relações de rapina com o mundo natural. É enorme o impacto da explosão populacional aliado à emergência social e econômica de imensas massas humanas antes fadadas à miséria. Seus efeitos já se fazem sentir no aumento da demanda de alimentos em ritmo superior ao da oferta, como mostram as curvas do gráfico sobreposto ao globo-símbolo da COP15 nas páginas de abertura desta reportagem.

Vivo estivesse, o sueco Svante Arrhenius enfatizaria em Copenhague o fator populacional no descontrole aparente em que se encontra o efeito estufa global. A cada dia que passa, o mundo tem de sustentar 213 000 pessoas a mais. Cada ser humano adulto produz, em média, 4,3 toneladas de gás carbônico por ano sem fazer nada de mais - apenas ao acender uma lâmpada, andar de carro ou ônibus, alimentar-se e vestir-se. Esses novos passageiros da espaçonave Terra, em conjunto, passarão a responder, então, por 880 000 toneladas a mais de carbono arremessado na atmosfera. As estimativas de aumento de emissões de gases de efeito estufa contemplam o choque populacional. O documento final do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU diz com clareza que "o crescimento do produto interno bruto per capita e o da população foram os principais determinantes do aumento das emissões globais durante as últimas três décadas do século XX". Outro relatório divulgado há menos de um mês pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) chama a atenção para o equívoco de desprezar o aumento populacional no debate sobre o aquecimento: "Os gases de efeito estufa não estariam se acumulando de modo tão perigoso se o número de habitantes da Terra não aumentasse tão rapidamente, mas permanecesse em 300 milhões de pessoas, a população mundial de 1 000 anos atrás". O intrigante é que, nas ações propostas para os próximos anos, o fator aumento da população desaparece.

O tema é realmente explosivo e tem conotações sombrias, por erros cometidos no passado. Com razão ou não, muitas pessoas encaram qualquer sugestão para conter o ritmo de aumento populacional como uma interferência indevida de forças estranhas no livre-arbítrio de países, famílias e das próprias mães. Razões culturais e socioeconômicas contribuem para tirar qualquer efeito prático das assombrosas constatações do crescimento populacional desenfreado. São dois os motivos principais para isso. O primeiro é que existe uma inegável disparidade no volume de emissões individuais quando se comparam cidadãos de países ricos e pobres. Um americano joga, em média, 19 toneladas de gás carbônico na atmosfera anualmente. Um afegão morador das montanhas de seu belo país contribui com modestíssimos 26 quilos de CO2. Como exigir do montanhês afegão que - quando não foi recrutado pelo Talibã para plantar papoula, matéria-prima do ópio - vive do leite de suas cabras e da hortinha no quintal que refreie seus impulsos reprodutivos usando como argumento o peso que o pobre coitado está colocando sobre o planeta? É ridículo. A maior força moral está em convencer o bem-educado e bem nutrido americano médio a repensar seu modo de vida, optando por uma sobrevivência mais frugal. Vale dizer que, embora as conversões ao naturalismo e à alimentação orgânica se contem aos milhares todos os meses nos Estados Unidos, elas são insignificantes do ponto de vista global.

A segunda razão do encalacramento da questão populacional vem da noção, bastante razoável, diga-se, de que os avanços educacionais e os saltos tecnológicos são muito mais eficientes nesse caso do que qualquer política governamental. O dinamarquês Bjorn Lomborg, estrela no grupo dos cientistas céticos quanto aos efeitos do aquecimento global e à responsabilidade humana nele, está entre os que acreditam que a solução virá do avanço tecnológico. Disse Lomborg a VEJA: "Realmente o tema não é tratado aqui. Pela ordem, eu diria que conter o consumo é um pouco mais prioritário, mas, definitivamente, apressar a busca por novas tecnologias limpas é o mais importante de tudo". O economista carioca Sérgio Besserman, ex-presidente do IBGE, que participa da COP15, descrê de qualquer política centralizada que vise a determinar ou influenciar os casais a respeito do número de filhos que devem ter. Ele lembra que a elevação do padrão cultural e educacional da população sempre coincide com a diminuição da taxa de fecundidade. "Quan-do se torna mais amplo o acesso à educação, à cultura e ao conhecimento, as populações passam a crescer em ritmo menor e até a decrescer", diz.

O caso brasileiro é ilustrativo dessa constatação. Há trinta anos, as mulheres brasileiras apre-sentavam taxas de fecundidade que se contavam entre as maiores do mundo, rivalizando com os padrões africanos. No começo da década de 90, a situação apresentava melhoras, mas ainda era preocupante. As mulheres do Brasil rural tinham então, em média, 4,3 filhos - dois a mais do que as mães urbanas. Uma década mais tarde, a diferença entre o número de filhos de mães rurais e urbanas se reduziu para 1,2. Em 2006, a taxa geral de fecundidade no Brasil havia estacionado em dois filhos por mulher. Um avanço cujo progresso só pode ser explicado pelos fatores apontados por Besserman, uma vez que as campanhas de controle de natalidade há muito foram desativadas no Brasil.

Fenômeno semelhante deve ocorrer na Ásia e na África com as melhorias educacionais e com o aumento da proporção da população urbana em relação à rural. Viver em cidades é um grande fator de diminuição do número de filhos. A ONU calcula que o somatório desses fatores terminará por estabilizar a população do planeta na casa dos 9 bilhões a partir do ano 2050. A questão é como chegar até lá sem grandes traumas. O prognóstico não é bom. Estudos científicos mostram que o mundo natural está sendo testado em seu limite para sustentar os atuais 6,8 bilhões de passageiros da espaçonave Terra. Segundo o OPT, organização inglesa que desenvolveu um indicador confiável de sustentabilidade, nos níveis tecnológicos atuais, o máximo que o planeta comporta sem risco de exaustão são 5,1 bilhões de pessoas. No fim da próxima semana, de Copenhague, virá a sinalização se a humanidade captou o dramático pedido de socorro que a Terra está emitindo.

Fonte: Veja.online - Ronaldo França, de Copenhague

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Marina Silva teme que interesses econômicos prejudiquem planos contra o desmatamento



Reduzir Normal Aumentar Imprimir A ex-ministra do Meio Ambiente e pré-candidata à Presidência pelo Partido Verde (PV), Marina Silva, demonstrou nesta segunda-feira o "temor" que os interesses econômicos prevaleçam ao aplicar na região amazônica os planos contra o desmatamento.
As iniciativas de Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação (REDD) das Nações Unidas devem ser estruturadas em torno de um plano nacional que depois será dividido em cada estado, atendendo as suas especificidades, defendeu Marina, que advertiu contra uma "guerra fiscal" entre estes.

"Temo que prevaleça os interesses puramente econômicos. O REDD é uma ferramenta e também uma oportunidade econômica, mas principalmente deve ajudar à mudança do modelo de desenvolvimento para a redução de emissões de CO2", disse Silva após participar de uma mesa-redonda na cúpula climática mundial de Copenhague.

Marina defendeu que as povoações afetadas sejam beneficiárias de mecanismos de desenvolvimento limpo e de um sistema misto de financiamento que combine doações de fundos com créditos a países comprometidos com uma redução mínima de emissões de 30% em seu próprio território.

A ex-ministra se opôs às declarações de alguns líderes mundiais rebaixando as expectativas do resultado da cúpula e falou sobre a importância de conquistar um compromisso "à altura dos esforços que devem ser feitos pelo bem do planeta", deixando de lado os interesses específicos de cada país.

Marina ressaltou que ela é mais um membro da delegação brasileira em Copenhague e que espera contribuir da mesma forma "efetiva" que o resto para tentar alcançar um acordo na capital dinamarquesa.

COP-15
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 7 a 18 de dezembro, que abrange 192 países, vai se reunir em Copenhague, na Dinamarca, para a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima, a COP-15. O objetivo é traçar um acordo global para definir o que será feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto.

Fonte: Terra.com.br

EUA dizem que não haverá acordo climático sem emergentes


Negociador americano pede que países em desenvolvimento assumam 'papel-chave' na questão do financiamento

COPENHAGUE - O chefe da delegação dos Estados Unidos na Cúpula da ONU sobre a Mudança Climática (COP15), Todd Stern, afirmou nesta sexta-feira, 11, em Copenhague que não haverá um acordo neste fórum sobre a redução das emissões sem a inclusão dos países em desenvolvimento.

Em entrevista coletiva, Stern disse que esses países "deverão assumir um papel-chave" para resolver a questão do financiamento para atenuar os efeitos das emissões de dióxido de carbono (CO2) nas nações pobres.

O diplomata americano fazia uma alusão à China, que nesta sexta-feira, por meio de seu vice-ministro de Assuntos Exteriores, He Yatei, lembrava "a obrigação legal" do mundo industrializado de reparar os danos causados às nações em desenvolvimento pelas emissões.

Stern reiterou a oferta inicial feita por Washington de cortar suas emissões em 17% até 2020 frente aos valores de 2005 e destacou as dificuldades que a aprovação de um acordo assinado em Copenhague pode enfrentar no Senado dos EUA.

Diversos países emergentes, entre eles a China, criticaram duramente esta proposta por considerar que representa apenas uma redução real de 4% na comparação com outros países industrializados, que partem de 1990 para calcular sua poluição.

O chefe da delegação americana em Copenhague ainda afirmou que "se deverá combinar a ciência com o pragmatismo para conseguir o possível" na COP-15.

Fonte: O Estado de S. Paulo (portal) – 11/12/2009

Esboço cita corte de 15% a 30% de CO2 para país em desenvolvimento

Texto ressalva que 'plano de ação' é condicionado à ajuda dos países ricos.
'Desvio substancial' das emissões deve ser obtido até 2020.

O primeiro rascunho oficial de acordo a ser fechado pelas 193 nações representadas na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 15, diz que os países em desenvolvimento devem tomar ações de mitigação apoiadas pelos países ricos para atingir uma redução "substancial" das emissões - entre 15% e 30% até 2020 em relação ao que emitiriam se nada fosse feito. Mas o texto reconhece que a redução nestes países "depende do nível de apoio disponível".

Caso esse dispositivo sobreviva aos debates e polêmicas e seja finalmente aprovado na conclusão da Conferência de Copenhague, o "compromisso voluntário" do Brasil vai se confirmar de fato ambicioso.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou no dia 13 de novembro que o Brasil se compromete voluntariamente a reduzir as emissões nacionais de gases causadores do efeito estufa em 36,1% a 38,9% até 2020 em relação ao que poluiria se nada fosse feito. (Calculada a tendência de emissão de dióxido de carbono e outros similares na próxima década, o Brasil vai tentar contê-la, adotando ações para que o tamanho do estrago ambiental fique menor do que seria se o governo não fizesse nada.)

O rascunho segue as recomendações publicadas há dois anos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) e insiste em que os países industrializados cortem suas emissões de gases causadores do efeito estufa em 25% a 40% até 2020, na comparação com 1990. Até 2050, a meta seria cortar as emissões em 50%.

O objetivo dos cortes é conter a alta da temperatura neste século em até 2°C. Em um gesto para agradar aos pequenos países-ilha, para os quais até mesmo esse teto já seria perigoso demais, o texto, diplomaticamente, afirma que é preciso limitar o aumento da temperatura entre "1,5°C e 2°C".

O financiamento das ações contra emissões nos países pobres é um dos pontos mais polêmicos da COP 15.

O texto explicita que a principal fonte de financiamento devem ser "recursos novos e adicionais oferecidos pelos países desenvolvidos", mas não cita valores.

Está previsto ainda no rascunho a criação de um mecanismo para transferência de tecnologias de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas entre os países.

O texto inclui o que foi negociado até o momento para posteriores trabalhos dos países participantes, disse na véspera o negociador-chefe do Brasil, embaixador Luiz Alberto Figueiredo.

Segundo ele, o objetivo é que seja "um texto que possa contar com o máximo possível de equilíbrio, de modo que as partes se sintam representadas e confortáveis em trabalhar sobre ele".

Fonte: G1 (portal) – 11/12/2009

Dinheiro do clima

Um espectro ronda Copenhague: o dinheiro. Há discussões filosóficas, geopolíticas, científicas, ambientais mas tudo pega mesmo é na hora de discutir o financiamento. Dinheiro já oferecido some da mesa, moeda fácil é oferecida por milagreiros, e os lobbies correm atrás de miragens monetárias. No fundo, o que se discute aqui é quanto os poluidores pagarão e quem vai receber.

Alta, louríssima, voz forte, a jornalista da TV dinamarquesa cortou a fala diplomática do embaixador brasileiro Luiz Alberto Figueiredo Machado e pediu explicação sobre o adjetivo “robusto” que ele usou para qualificar a necessidade de financiamento dos países em desenvolvimento:

— O que é dinheiro “robusto”?
— São recursos de curto e longo prazo. Precisamos de dinheiro de curto prazo? Sim. Mas também precisamos de financiamento de longo prazo porque a luta contra a mudança climática é longa.
— Quanto? — insistiu a repórter.
Não recebeu a resposta quantitativa que queria. O que o embaixador havia dito, à imprensa, um pouco antes, era o recado que todos os países em desenvolvimento estão dizendo:
— No momento, não há nenhuma proposta de dinheiro na mesa e essa é a nossa preocupação.

O problema é que está tudo andando para trás. O negociador americano Todd Stern chegou aqui rejeitando a ideia de que há uma “responsabilidade histórica” dos países ricos na mudança climática. Isso derruba um dos pilares de toda essa negociação.

No começo do dia, ontem, George Soros apareceu prometendo solução fácil. Numa sala lotada de um evento paralelo, Soros explicou sua ideia: um fundo verde, de US$ 100 bilhões com Direitos Especiais de Saque do FMI para financiar proteção de florestas e países mais vulneráveis. Com uma proposta assim, ele agradou de Brasil a Bangladesh. Argumentou que o Fundo usou US$ 283 bilhões em DES para financiar países ricos na crise econômica.

A reação de descrédito também foi ampla. Paulo Adário, do Greenpeace, argumentou que isso pode tirar dos países ricos a obrigação de pagar pelo dano que fizeram. Os negociadores europeus rejeitaram a ideia de Soros:

— Nós desconfiamos muito de propostas assim. Dinheiro tem que vir de algum lugar, não se pode simplesmente imprimi-lo — disse Arthur Runge-Metzer, negociador-chefe da União Europeia.
Uma fonte do FMI informa que a ideia é inviável. Os países teriam que sacar dinheiro dos DES e para isso teriam que pagar juros. Se os países ricos estivessem dispostos a fazer isso, usariam seu próprio dinheiro.

Nas últimas horas, os diplomatas trabalharam na preparação da primeira versão do texto oficial do grupo de trabalho criado para isso na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-15). Um órgão poderoso que tem um nome inacreditável: AWG-LCA. O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado é o vice-presidente. O presidente é Michael Jammit Cutajar, embaixador de Malta. A promessa é que o texto vai ser distribuído amanhã para as delegações. Ficaria pronto ontem, mas as negociações estão difíceis e um dos pontos é o de financiamento.

Os europeus tinham anunciado, tempos atrás, US$ 100 bilhões, mas para financiar “adaptação”. Essa palavra indica que o dinheiro vai para os países mais pobres e vulneráveis. Se for usada a palavra “mitigação”, pode ser para proteção à floresta, e aí entra o Brasil. Até agora, o que está realmente oferecido pelos Estados Unidos e Europa é um dinheiro de curto prazo, de US$ 10 bilhões.

A corrida ao tesouro trouxe aqui para Copenhague muitas ONGs, defensores de diferentes mecanismos de financiamento, empresas de diversos setores, inclusive os de alta emissão, produtores de equipamentos para diversas tecnologias de produção de energia. Os ricos pararam de oferecer o que vinham oferecendo antes. Falam da crise e de como os países emergentes se saíram tão bem, e usam um argumento difícil de refutar: a China é parte dos emergentes, mas tem US$ 2 trilhões de reservas.

O Brasil pode construir um discurso sustentável para seu pedido de recursos, mas para isso tem um enorme trabalho a fazer. Financiar a pecuária sem fazer exigências, mesmo sabendo o que o Inpe divulgou ontem, que metade das emissões brasileiras vem da produção de carne, é insustentável. Ou a pecuária muda, ou o Brasil fica sem argumento.

Enquanto essas negociações ocorrem, as sessões plenárias da Conferência terminam sempre suspensas por causa de Tuvalu. Ontem, de novo, o pequeno arquipélago parou a reunião e pode ficar assim até sábado. Ela está em obstrução, pegando uma boa questão regimental. Fez uma proposta há seis meses, e propostas nesse prazo têm que ser analisadas.

Num plenário conflagrado, com suas divisões inesperadas, Connie Heddegaard, a presidente da Conferência, deu a palavra para uma representante da sociedade civil. Uma jovem negra, africana, traz todos de volta à realidade:

— Os países ricos, que já tiraram trilhões de nós, agora oferecem US$ 10 bilhões. Esse dinheiro não dá para pagar os nossos caixões.

Quando falam os muito pobres ou os afogados, como Tuvalu, tudo fica mais cheio de vida, mais emocionante. Até um frio debate sobre dinheiro.

Fonte:O Globo – 11/12/2009 - Miriam Leitão